SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

18 julho, 2026

DOS TRAJETOS (Cacau Loureiro)

Tuas rotas chegam a mim...
mas há silêncios
que me impedem de agir.

As palavras já não bastam
para reacender
o que fomos.
Hoje restam apenas
as lembranças,
na mente  confusa
e no corpo dormente.

Enquanto teus caminhos seguem,
eu permaneço
a sonhar a maciez da tua pele,
o teu sorriso,
único em sua beleza singela.

E o meu coração,
paralisado diante das contradições
de quem falou de amor...
de encontro...
de predestinação.

O universo
não se moverá
para atender às vontades
de quem sofreu vida afora
e hoje perpetua
o eco da própria dor.

Sigo vivendo,
porque a vida nos convoca
ao movimento.

E os dias passam
como teu rosto
entre nuvens esparsas.

O tempo é Senhor:
implacável, mas transformador.

Ainda assim,
seguir é preciso.

Nesta manhã,
o vento frio
entrou pela janela.

Meus lábios,
também frios,
sentiram a falta
do alimento
dos alvoreceres
ao teu lado.

Oferta-me tua mesa farta,
onde a ausência
não encontre lugar.

Desata os nós
que o tempo fez.

Desfaz os caminhos contrários.

Marca em teu relógio
a hora
do nosso precioso tempo.

Dos prazeres
que nos despertavam
no meio da noite,
traz de volta
tua alma encantada.

Que tuas rotas,
enfim,
cheguem a mim.

Vem.

Abraça-me
uma vez mais.

 

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