SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

18 julho, 2026

DOS TRAJETOS (Cacau Loureiro)

Tuas rotas chegam a mim...
mas há silêncios
onde minhas mãos não alcançam.

As palavras já não bastam
para reacender
o que fomos.
Hoje restam apenas
as lembranças,
na mente  confusa
e no corpo dormente.

Enquanto teus caminhos seguem,
eu permaneço
a sonhar a maciez da tua pele,
o teu sorriso,
único em sua beleza singela.

E o meu coração,
paralisado diante das contradições
de quem falou de amor...
de encontro...
de predestinação.

O universo
não se moverá
para atender às vontades
de quem sofreu vida afora
e hoje perpetua
o eco da própria dor.

Sigo vivendo,
porque a vida nos convoca
ao movimento.

E os dias passam
como teu rosto
entre nuvens esparsas.

O tempo é Senhor:
implacável, mas transformador.

Ainda assim,
seguir é preciso.

Nesta manhã,
o vento frio
entrou pela janela.

Meus lábios,
também frios,
sentiram a falta
do alimento
dos alvoreceres
ao teu lado.

Oferta-me tua mesa farta,
onde a ausência
não encontre lugar.

Desata os nós
que o tempo fez.

Desfaz os caminhos contrários.

Marca em teu relógio
a hora
do nosso precioso tempo.

Dos prazeres
que nos despertavam
no meio da noite,
traz de volta
tua alma encantada.

Que tuas rotas,
enfim,
cheguem a mim.

Vem.

Abraça-me
uma vez mais.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.