
Tuas rotas chegam a mim...
mas há silêncios
que me impedem de agir.
As palavras já não bastam
para reacender
o que fomos.
Hoje restam apenas
as lembranças,
na mente confusa
e no corpo dormente.
Enquanto teus caminhos seguem,
eu permaneço
a sonhar a maciez da tua pele,
o teu sorriso,
único em sua beleza singela.
E o meu coração,
paralisado diante das contradições
de quem falou de amor...
de encontro...
de predestinação.
O universo
não se moverá
para atender às vontades
de quem sofreu vida afora
e hoje perpetua
o eco da própria dor.
Sigo vivendo,
porque a vida nos convoca
ao movimento.
E os dias passam
como teu rosto
entre nuvens esparsas.
O tempo é Senhor:
implacável, mas transformador.
Ainda assim,
seguir é preciso.
Nesta manhã,
o vento frio
entrou pela janela.
Meus lábios,
também frios,
sentiram a falta
do alimento
dos alvoreceres
ao teu lado.
Oferta-me tua mesa farta,
onde a ausência
não encontre lugar.
Desata os nós
que o tempo fez.
Desfaz os caminhos contrários.
Marca em teu relógio
a hora
do nosso precioso tempo.
Dos prazeres
que nos despertavam
no meio da noite,
traz de volta
tua alma encantada.
Que tuas rotas,
enfim,
cheguem a mim.
Vem.
Abraça-me
uma vez mais.
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