SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

10 novembro, 2009

A RÃ E O ESCORPIÃO (La Fontaine)

O fogo crepitava feroz e avassalador. Na margem do largo rio, que permeava a floresta, encontram-se a rã e o escorpião.

Lépida e faceira, a rã prepara-se para o salto nas águas salvadoras. O escorpião – que não sabe nadar – aterroriza-se ante a morte certa, ou estorricado pelas chamas ou impiedosamente tragado pelas águas revoltas.

Arguto, e num esforço derradeiro, implora o escorpião:

– Bela rã, leva-me nas tuas costas na travessia do rio!

– Não confio em ti! Teu ferrão é inclemente e mortal – responde a rã.

– Jamais tamanha ingratidão. Ademais, se eu te picar, morte certa para nós dois.

– É verdade, pensou candidamente o bondoso batráquio. En­­tão suba!

E lá se foram, irmanados e felizes. No entanto, no meio da travessia, a rã é atingida no dorso por uma impiedosa ferroada. Entremeando dor e revolta, trava o derradeiro diálogo:

– Quanta maldade! – exclama a rã, contorcendo-se. – Não vês que morreremos os dois?!

– Sim – responde o escorpião – Mas esta é a minha natureza!

4 comentários:

  1. Se tem algo que devemos confiar é na natureza do homem,as vezes custa conhece lo e uma vez constada nao podemos ser ingenuos...bjossss

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  2. Bem disse Andrea, não devemos confiar cegamente nas pessoas, muitas são boas mas a menoria que é ruim sabe fazer muito bem o seu papel.
    Um abraço

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  3. É sempre muito bom fazer novos amigos no Chá das Cinco, eu também gostei muito do teu blog, ele é show.
    Eu também estou te seguindo, não vamos perder cantato Cacau.
    Bjs

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  4. É sempre muito bom fazer novos amigos no Chá das Cinco, eu também gostei muito do teu blog, ele é show.
    Eu também estou te seguindo, não vamos perder cantato Cacau.
    Bjs

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