SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

16 novembro, 2009

CÉU LARANJA (Cacau Loureiro)


Em aspirações recorrentes avisto
os campos prometidos...
Em tua seara provei de mais nobre fruto,
gosto ímpar que jamais experimentarei
de novo.
Vastidão tremenda de despetalados
malmequeres, mas, onde ainda há
sementes germinando em profusão...
Constato que o colorido de outrora
permanece incólume, novedio.
Há a viração das noites solitárias que
envolve o buquê dos amores confiados
ao vento.
Nas esferas que me foram lume de
estrelas eu enfeito ainda o meu tempo
presente; longas e padecidas horas que
esvoaçam lembranças...
Há tanto pesar a permear a florada em
que me abraço, pois que a dor é para
os simples de afeto... também para os
gigantes de alma.
A brisa do vazio que me cerca traz canções
várias, tristes árias a ecoarem na escuridão
primaveril em que me peito arde.
Caminho a esmo através do verdejante da
esperança que renasce em mim como pôr de sol...
Há no céu laranja que me mostraste nalgum dia
feixes da pequenina flor que hei de chamar para
sempre... a margarida do amor!...


Um comentário:

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