SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

26 novembro, 2009

SEM FRONTEIRAS (Cacau Loureiro)


Ninguém almeja a dor, embora, ela doa e pronto,
Contudo, é também na dor que nos reconhecemos
no outro.
O mistério da vida é cabalmente igual ao mistério
do amor... São mente, corpo e espírito em altos planos
astrais edificando para além da eternidade.
Também quero a unidade dos eternos laços, plasmados
no burilamento interior daqueles que pleiteiam a trégua,
daqueles que se alforriam do exclusivismo, das tolas vaidades
de tudo isto que nos prende ao mundo vil e material.
Nesta existência em que estamos em um só barco,
não existem superiores ao qual devamos sucumbir
às vontades, pois preciso é que haja o desejo
indissolúvel do caminharmos juntos, e partilharmos
a concórdia dos que se entendem pelo olhar.
Necessário é remar as galés da ética para não sucumbirmos
a caprichos e vislumbres dos ventos da intolerância,
do amor-próprio, das vãs filosofias e das psicologias
baratas que adentram o mar do desprezo.
E que saibamos tocar o outro para que possamos
elevar além do horizonte uma nova alvorada sem
a presunção dos que acham que já sabem demais.
Eu quero sim, a paz que liberta e emancipa o espírito
dos cônscios na responsabilidade para com outro.
Nas mãos que se tocam sem palavras, no silêncio
que explode no infinito das essências belas.
Não quero o medo dos que não abrem as asas de
seus corações para viverem um grande amor, e planarem
no céu das emoções extremas, angelicais e, no entanto
cheia de tribulações, pois que só se chega ao cume
depois de longas invernadas, só se mata a sede depois
de longas jornadas.
Desejo também que as avalanches de pedras sirvam-me
para apurar o espírito, porque não podemos ter medo
da vida, posto que é dádiva e honraria do supremo criador.
Eu quero espinhos, flores, o manto, o frio e o calor,
o sal e a água alçados na lança, que lancinante eleva-me
também ao céu.
Quem não aspira a afeição maior, não respira a
vivacidade dos que têm a divindade como promessa...
Eu quero sim, a terra prometida, evangelizadora na
luz que restaura e nutre somente através do amor!

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