SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

26 novembro, 2009

SEM FRONTEIRAS (Cacau Loureiro)


Ninguém almeja a dor, embora, ela doa e pronto,
Contudo, é também na dor que nos reconhecemos
no outro.
O mistério da vida é cabalmente igual ao mistério
do amor... São mente, corpo e espírito em altos planos
astrais edificando para além da eternidade.
Também quero a unidade dos eternos laços, plasmados
no burilamento interior daqueles que pleiteiam a trégua,
daqueles que se alforriam do exclusivismo, das tolas vaidades
de tudo isto que nos prende ao mundo vil e material.
Nesta existência em que estamos em um só barco,
não existem superiores ao qual devamos sucumbir
às vontades, pois preciso é que haja o desejo
indissolúvel do caminharmos juntos, e partilharmos
a concórdia dos que se entendem pelo olhar.
Necessário é remar as galés da ética para não sucumbirmos
a caprichos e vislumbres dos ventos da intolerância,
do amor-próprio, das vãs filosofias e das psicologias
baratas que adentram o mar do desprezo.
E que saibamos tocar o outro para que possamos
elevar além do horizonte uma nova alvorada sem
a presunção dos que acham que já sabem demais.
Eu quero sim, a paz que liberta e emancipa o espírito
dos cônscios na responsabilidade para com outro.
Nas mãos que se tocam sem palavras, no silêncio
que explode no infinito das essências belas.
Não quero o medo dos que não abrem as asas de
seus corações para viverem um grande amor, e planarem
no céu das emoções extremas, angelicais e, no entanto
cheia de tribulações, pois que só se chega ao cume
depois de longas invernadas, só se mata a sede depois
de longas jornadas.
Desejo também que as avalanches de pedras sirvam-me
para apurar o espírito, porque não podemos ter medo
da vida, posto que é dádiva e honraria do supremo criador.
Eu quero espinhos, flores, o manto, o frio e o calor,
o sal e a água alçados na lança, que lancinante eleva-me
também ao céu.
Quem não aspira a afeição maior, não respira a
vivacidade dos que têm a divindade como promessa...
Eu quero sim, a terra prometida, evangelizadora na
luz que restaura e nutre somente através do amor!

Um comentário:

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.