SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

17 novembro, 2009

SILENCIAR (Vera Godoy)


O silêncio, muitas vezes, tem um poder muito maior de trazer resultados numa relação do que falar e expor os fatos que a todos incomodam. Saber a hora de calar é compreender a necessidade de reflexão, mas identificar a hora certa de falar ou calar é que trará luz aos fatos. Sem dúvida podemos afirmar que quando ignoramos esse "momentum" podemos interferir inadequadamente na vida e também nas condições físicas, emocionais e psicológicas de todos os envolvidos. Sempre existe uma causa para um comportamento inadequado e errar é inerente à toda natureza humana, é inclusive necessário para nosso aprendizado na vida; só evoluimos através dele.
A decadência de um relacionamento começa quando não conseguimos mais enxergar nada de positivo no outro, quando não há mais respeito mas, principalmente, "quando não existe intenção e boa vontade de um dos parceiros em relevar os aspectos negativos do outro, considerando somente as qualidades positivas e atrativas". Permanecer nessa situação de "total falta de comunicação” leva as pessoas à depressão e a atitudes de desespero.
Qualquer forma de expressão é mais saudável que a tortura de conviver com o silêncio do outro. Diz a canção: “dói mais teu silêncio do que tua agressão".
Somos todos muito diferentes e nos iludimos achando que existe a "tampa da nossa panela", mas bastam alguns segundos de conversa entre duas pessoas para constatarmos que a percepção da realidade de uma é diferente da outra. Cada um de nós tem uma verdade e se a considerarmos sob uma “percepção rígida e inflexível" ofuscaremos qualquer possibilidade de compreender a do outro. Para muitos "tentar essa compreensão" significa perder sua identidade, se anular, se diminuir.
Um grande filósofo já disse: "Você quer ter razão ou prefere ser feliz?" Evitaríamos muita coisa nos calando, silenciando, mas muita coisa também seria evitada se falássemos, se nos comunicássemos, se tivéssemos diálogo e consideração pelo outro.
Esse silêncio inoportuno, na hora errada, é também uma forma de violência. É uma situação velada que não causa tanto impacto na sociedade quanto a violência física, por não existir manifestação explícita e aparente de agressão, porém é uma realidade tão cruel quanto a outra; a diferença é que a segunda deixa marcas visíveis, contudo na primeira, as feridas podem ser mais profundas e perigosas, porque se trata de uma violência emocional. A violência emocional destrói a auto-estima do outro. A agressão verbal é uma violência também, mas é real, concreta, deixa para o outro uma oportunidade de "concluir algo e de ter uma referência". O silêncio indiferente ou a simples ausência de diálogo, é a omissão de um comentário ou argumento esperado para o momento e, portanto, machuca muito mais.
Nesse tipo de violência também acontecem a depreciação da família e do trabalho do outro. Esclarecer e aceitar as diferenças é aceitar a verdade do outro, é admitir o nosso equívoco diante de uma realidade: "as diferenças não atrapalham a convivência"! Elas, em certos momentos, nos aproximam justamente porque nos afastam da rotina. É o que geralmente acontece quando se inicia uma nova relação. Quando os relacionamentos começam, são essas diferenças que "fascinam" os parceiros. A novidade e a surpresa provocam uma vibração que motiva e colore a relação, porém, quando é necessário conviver com elas rotineiramente, não resistimos e calamos, silenciamos.
Amor se demonstra em atitudes concretas. Mesmo com todas as dificuldades da vida, quando ainda existe respeito, perseverança e disposição de compreender, alegria em compartilhar, vemos os dias seguirem com o fortalecimento dos laços que unem um casal. É no dia-a-dia que se solidificam os relacionamentos. Sentimentos que não são traduzidos em atos não alcançam o outro e quando nossas atitudes demonstram mais ressentimento e indiferença que afeição ficamos atordoados, sem chão.
Lembre-se: amor, atenção, carinho e amizade não se pedem. Apenas se recebem. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro e que ouve isso do outro.
O silêncio é plenitude de comunicação. Evitar o silêncio negativo do mau-humor, da agressividade, do desgosto, da raiva e, principalmente, da “ausência”, é demonstrar sensibilidade, afetividade e respeito. O silêncio quando é amor, fala e quando é desamor, agride. O ato de falar e o de calar precisam um do outro, pois quem fala quer ser ouvido e para ouvir é preciso calar. Vamos aprender a arte de silenciar só por amor!

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