Entre folhas e frutos,
perfumo minhas mãos...
Nos cheiros que me chegam às narinas,
aspirar é também compreender:
há algo que me preenche
e me soergue.
Mãos generosas guardam néctares
capazes de reavivar espíritos fatigados.
E eu não sei por que
essa estrada que sigo
tanto me cansa.
Ainda assim, planto.
Planto sementes
com cheiro de flor,
sementes que darão polpa
a todo fruto bom.
Na sombra, descanso
deste mundo
de ruídos confusos
e pessoas distraídas...
A natureza,
mãe da mansidão,
nos cura no silêncio.
E, em sua abundância,
nos ensina:
a vida não cessa,
apenas continua
a ofertar suas promessas.
Então eu paro o tempo,
olhos a contemplar os
mínimos movimentos
de galhos e pistilos.
E me faço criança
sob árvores frondosas,
onde a seiva é densa
nesses caminhos invisíveis.
Ali, planto meus pés na terra.
Ali, revigoro o meu coração.
À beira de um rio caudaloso,
minha alma frutifica;
e aprende
a esperar
com convicção.
Porque o tempo
é Senhor
de todas as coisas...

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