Apago as luzes…
e as cortinas pesadas
sussurram diálogos desconexos.
Quantas interrogações deixamos
para depois…
se todas as respostas
já se anunciam em silêncio.
A minha medida
jamais será a do outro.
Caminhei só
por meus próprios caminhos…
e a solidão, em voz alta,
desdiz tantas certezas.
A mente viaja —
território extraordinário
onde sigo ao lado
de um estranho que sou.
Ecoam por dentro
sons que me atravessam,
levando-me de um lado a outro…
e a vida dança,
insistindo em mais.
Passos no infinito do ser,
descompassados
pelas dicotomias da alma.
Semicerro os olhos…
para suavizar a luz
que invade minhas sombras.
Por que, ainda, evito os clarões
que me revelam veredas?
Deixo as bagagens
em seus devidos lugares.
Lanço um último olhar
ao que fui
e sigo.
Jamais retornarei.
Entro no trem da vida…
o agudo apito, a fumaça;
parto para, enfim, ser irreversivelmente
de verdade.

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