SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

07 abril, 2026

TRILHOS DE SANGUE (Cacau Loureiro)

Passageiros...


Somente os purgados de coração saberão

para onde vão.


Estações de lágrimas escorrem pelos

trilhos, sem saber ao certo seus destinos…

Guerra, ódio, dissensões.


Os barulhos das engrenagens nos deixaram

surdos ante os gritos dos degredados

das terras das emoções — solo vazio de

corpos ocos.


Encarcerados em suas cavernas, as sombras

lhes desenham ilusões — quem ousará olhar

para trás ou vislumbrar saídas?


O fogo lançou a humanidade ao futuro,

mas nossos corações, primitivos, tateiam

paredes de barro e pedra, esquecendo o

essencial à construção de espíritos aprumados.


Quando nos levantaremos da lama que,

em vez de curar nossas cegueiras,

nos tornou obtusos às boas intenções?


Passageiros a arrastar bagagens de aflições,

deixando pelos caminhos rastros de almas

inanes, enrustidas na fome de poder absoluto.


No calvário humano, o estandarte

das têmperas covardes fez-se lança venenosa

e, como flechas mortíferas lançadas ao alto,

transpassou, em sangue, os próprios corações.


Passageiros das eras, somos todos

catapultas da destruição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]

Gratidão pela leitura sensível.