Passageiros...
Somente os purgados de coração saberão
para onde vão.
Estações de lágrimas escorrem pelos
trilhos, sem saber ao certo seus destinos…
Guerra, ódio, dissensões.
Os barulhos das engrenagens nos deixaram
surdos ante os gritos dos degredados
das terras das emoções — solo vazio de
corpos ocos.
Encarcerados em suas cavernas, as sombras
lhes desenham ilusões — quem ousará olhar
para trás ou vislumbrar saídas?
O fogo lançou a humanidade ao futuro,
mas nossos corações, primitivos, tateiam
paredes de barro e pedra, esquecendo o
essencial à construção de espíritos aprumados.
Quando nos levantaremos da lama que,
em vez de curar nossas cegueiras,
nos tornou obtusos às boas intenções?
Passageiros a arrastar bagagens de aflições,
deixando pelos caminhos rastros de almas
inanes, enrustidas na fome de poder absoluto.
No calvário humano, o estandarte
das têmperas covardes fez-se lança venenosa
e, como flechas mortíferas lançadas ao alto,
transpassou, em sangue, os próprios corações.
Passageiros das eras, somos todos
catapultas da destruição.

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