SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

18 abril, 2026

EQUINOCIAL (Cacau Loureiro)

Esse outono que agora vive em mim

é música interminável…


A poesia me beijou os lábios

e fez nascer os versos mais bonitos,

porque o amor é nascente e não tem fim —

rede a balançar nos ventos da paz,

gosto de fruto saboroso a ser colhido no pé.


Pensamentos que me fazem completa

no que ora sou, pois abracei as rimas

que nasceram do teu sorriso precioso,

pérola buscada em mergulho profundo

no mar do que me foi desengano.


Carvão e cinzas a me transformar

no melhor que hoje reconheço,

porque, cantando o movimento humano,

vou descortinando rios, mares,

semente e flor naquilo que em mim

tu despertas.


Mãos do invisível a aliviar dores antigas,

a endireitar caminhos opacos,

a me presentear com teus olhos luminosos,

abrindo atalhos em florestas densas,

antes temerosas.


Sendas, clareiras, estradas — eu abro,

como um rio que segue seu fluxo

para o mar imenso, arrastando tudo,

a correr sobre folhas secas

que se foram na ventania do passado,

tornando fértil o que me foi infecundo.


E fez subir esse sol ameno

de um equinócio inesquecível,

fazendo-me nascer os sonhos

em vento morno que aqueceu meu peito

e varreu para o oceano minhas amarguras.

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