LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




21 de novembro de 2010

LIS (Cacau Loureiro)

Eu avisto os lírios do campo, mas ainda não
encontro repouso... flor-de-lis onde deposito
saudade... lágrimas...
Minha aura exposta aos açoites do mundo,
meu coração aberto ao maior sentimento da Terra,
é o que me move, é o que me impulsiona e alenta-me.
O campo que vislumbro a minha frente é vasto,
tão amplo quanto esta esfera injusta, hipócrita da
desumana humanidade.
Contudo, o mundo ainda não me venceu, posto que
todos os dias eu edifico dentro do meu peito o meu mais
íntimo desejo, pois que não há limites para a liberdade
que proclamo em minha verve, o voar livre que intenta
a minha alma, e este grito que não cessa o meu suspiro,
que só faz ardente as aspirações que em mim se infundem...
Sobejam e retemperam-me.
Sobre humana sou quando pouso o meu cansaço em
teu abraço, quando reescrevo a poesia tantas vezes
alquebrada pelos ínvios caminhos dos homens.
Ainda impera a tua doce rima em meus lábios, como
um cântico agridoce que me edifica para o ser, para o ir,
resistir além de todos, além de tudo.
Despeço-me todos os dias da tristeza, porque busco
em cada tarde a doce espera que me convoca a
seguir adiante, e seguir irei.
Sobre pontes, areias, estradas eu suplanto os muros
do egoísmo, o falso amor que envenena o sangue
de toda esta raça de seres...
Em minha autenticidade eu sigo só, pois sós são os que
abrem o peito, e sangram de verdade; e eu esvaio-me
vida afora pelo puro êxtase de viver um amor poderoso.
E quererei sempre a verdade luminosa como o sol que
me levanta todos os dias para o teu despertar profícuo.
E neste amor que me aclama heroína, e nesta dor que me
declara mártir, neste reinado que me intitula rainha
inglória, eu sei que a vida me ofertará os verdes louros,
os verdes louros da vitória, amor!...

Um comentário:

Sonhadora disse...

Minha querida

Um poema forte e profundo...dorido, mas com a força da esperança e do sonho...ainda.
Adorei é lindo.

Beijinhos com carinho
Sonhadora