SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

07 setembro, 2023

DESPERTA (Cacau Loureiro)


 Vem! Desperta para a minha boca 

que roça os teus lábios, sedenta... 

vem aplacar a urgência do meu cio.

Vem dar luz aos meus olhos que 

perscrutam o teu corpo, vem dar sentido 

às mãos que afagam o teu colo suado.

Meu corpo molhado, distorcido, não 

cansado, excitado misturado ao teu... 

faz-me viajar, chegar aos céus...

A tua pele, o teu corpo, o teu hálito, 

o teu cheiro, este sonho que é tanto 

há de ser mais que encanto... tesão 

puro e verdadeiro.

Vem, desperta! Vem beber o néctar

fresco e viscoso que há em meu

secreto corpo, vem provar o gosto

da libido que transborda do meu

desejo tolhido e caprichoso.

Vem, sem medidas, delibar o que

há em minhas entranhas, degustar

o mel de minhas palavras indecentemente

inocentes, atrevidas.

Desperta e vem! Para me beijar a boca,

para me seduzir a alma, para me intrigar

a cabeça, para me deixar indefesa, sem

sentidos, com sentido de anuência.

Abraça-me, fala-me indecências, solta

ao meu ouvido este grito reprimido de

desejo, de tesão, pois que estarei na

vigília, na espera... do teu gozo, do

teu corpo, do teu sexo.

O meu desejo não tem pudor, não tem

acanhamento; é impaciente, não aguenta

mais a urgência, e eu não quero me livrar

deste pecado, eu não quero resistir a

tentação, quero a demência...

Desperta e vem! Coloca-me na tua cama,

deixa à mostra minhas costas, o teu

falo... nem te falo..., confessas-me as

mentiras todas tuas, profanas, sacanas,

façamos um carnaval!... e eu, dar-te-ei

a prova do meu puro amor carnal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.