SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

13 setembro, 2023

VERTIGEM (Cacau Loureiro)

Comprime-me o cerne fina dor que 

constante e cortante segue em desafio

rumo ao meu ventre.

Em brasa, em desejo, em paixão

sinto-te presente em carne e osso,

em aura e espírito.

Não sei como conter esta força supra-humana,

atrativa que em mim é fogo, e me consome; 

é ferida aberta, acesa chama...

Quero os teus lábios, o teu sopro,

os teus dons mais próximos, em mim.

Cruel extravagância, ávida inspiração

que como fome atiça-me ao desatino.

E eu viajo em teus sons, em tuas letras

indefesa. Confesso-te que tudo arde

em fogueira insana, que tu me feres...

Não mais sei onde começa, onde

principia o teu encanto, já não mais

sei que direção estou seguindo, pois

que também não quero adiar toda esta

fúria do querer que me vai tomando.

O que me impele ao teu rosto, à tua pele

deixa-me em febre, em viração e calmaria.

Neste paradoxo em que me encontro

eu me debato... quero o teu ombro, o

teu colo, quero os teus beijos, arrebatar

todos os meus desejos em teu abraço.

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