SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

05 janeiro, 2010

ELES USAM BLACK TIE (Cacau Loureiro)


Que discursos são estes que sempre ouvi em meu trajeto?!
São os homens na balbúrdia e nos grilhões de seus egoísticos
projetos...

Seguem lentos, vivem a esmo... pedem donativos.
Por onde anda o que se chama integridade, discernimento?!
Os seres marcham e professam suas santidades; pisam as
cabeças, consomem o tempo; extinguem seus pulsos.
Os ventos que os trouxeram veem de esferas diminutas
à própria Terra.
A lama é o que tempera os seus bustos sempre ocos,
sempre estreitos, pois que no centro dos seus peitos
nunca existiu um coração, fundem-se ali a pedra e a fera.
A onda que os acompanha é feroz, mas passageira, posto
que o que não dignifica não permanece.
Eles professam a falsidade com suas falas mansas, seus
cabisbaixos olhares; seus gestos sutis são artifícios para
se servirem do vencedor.
Estas criaturas passeiam por todo lado, num ir e vir
de torturas e hipocrisias. Os seus escudos são as
dissimulações chorosas, constantes. Usam gravatas,
longos vestidos, bebem os óbulos em copos de
espumante escárnio na própria lapela.
Elas sabem chorar e vertem lágrimas, elas sabem
pedir, vivem de esmolas; elas sabem enganar,
também sorriem: elas sabem retórica, pois são
ventríloquos; elas sabem versar sobre liberdade e
vivem sendo manipuladas, por seus ouvidos são
constantemente emprenhadas...
Assim descobri estranhamente que o diabo veste black tie
e com certeza usa Prada!

Um comentário:

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