SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 janeiro, 2010

SALMO TERCEIRO (Cacau Loureiro)

Para o ninho das serpentes não há legado,
Há o fogo consumidor que esteriliza tudo,
Pois a mão que toma o que não lhe pertence
É cortada implacavelmente.
Para o fanal que do céu provém não há riqueza que
O compre, não há olhos entravados que o possa
Ver, passa fome mesmo comendo o pão.
A noite baixa austera para o que rouba a coisa alheia
Porque nada foge a perspicácia do Criador.
A misericórdia do que habita o altíssimo é infinita,
Porém sua austeridade é para todo o sempre, ai
Daquele que ostenta sua vaidade no varal das iniquidades,
Pois que não haverá lençol suficiente para conter as suas
lágrimas.
O bem viceja a olhos vistos, contudo o mal se propaga
No subterrâneo, mas o justo dos justos revolve a
Terra e mostra sob a claridade os imundos desta
Aldeia e os seus prantos não O sensibiliza e a sua
Justiça é inexorável.
Homens retos preparem suas bocas para o alimento
Da renovação, fazei reverberar um cântico de
Fé e humildade, pois só aquele que ferve na fé
E na benevolência prova do mais doce fruto.
O eterno tudo vê, tudo sabe, tudo ouve, tudo
Dirige e com seu poder faz nova vida de árvore estéril,
Faz humilhado o que se levanta contra seu semelhante,
Faz calar a voz da do perverso e do detrator, abre
Caminho com suas poderosas mãos em plantio de
Ervas daninhas; cuidai das palavras insanas homens
De falsas aparências, as máscaras lhes serão arrancadas
A ferro e fogo. Posto que a voz do Senhor ressoa por
Todo O Universo fazendo pelo seu verbo sagrado a
Profunda transformação do maldizente leviano.

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