SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

25 janeiro, 2010

SALMO QUARTO (Cacau Loureiro)


Há muito que colocas o véu no rosto e esconde-se.
Por que o homem se oculta do Senhor que o fez?
Como antifaz de crocodilo encobrimos nosso
semblante, enganamos o homem tolo, enganamos
mesmo o honrado, mas nossa página para o Senhor
está descoberta.
Transfiguramo-nos em monstros travestidos em pele
de cordeiro. Por que não olhamos face a face a criatura
que somos e arrancamos esse coração deteriorado?
Há desespero nas mãos que ocultam a faca;
nos olhos que ocultam a verdade há sofrimento.
Por que não levantas as vistas aos olhos do Criador
de todos os exércitos, ao que ciceroneia todas as almas?
Pois que sua lança alcança o malvado e o herege
esteja onde estiverem. Por que atiças o semelhante
no repúdio que fazes ao Único Deus da salvação,
posto que ele nunca te abandona, nunca dorme,
nunca se deixa na invigilância?
Eleva teu espírito ao Pai, entrega a ele suas vestes,
seus mantimentos, sua alvorada e seu entardecer.
O pergaminho que carregas nada é sem o consentimento
D’aquele que habita as luzes celestiais porque seu
braço é cruz e espada, é justiça e nada há que tenha
validade sem a Sua permissão.
Portanto, olhai as montanhas que enfeitam suas posses,
olhai os mares que sinalizam suas magníficas obras,
olhai os animais que habitam sua casa, nada há que
não tenha sua menção e vontade.
Por que ainda deixa a falsa aparência fazer arder sua
alma, deixa ainda a máscara queimar suas virtudes?
Só o soberano que é justo faz o julgamento do que
guardamos em nossos recônditos.
Somente o Justo dos Justos é capaz de ver e edificar
o homem que verdadeiramente possui o coração limpo!

Um comentário:

  1. Amada que saudades tava daqui, tava fora uns dias e agora me deparo com este maravilhoso post sem mascaras!!!
    bjossss

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