SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

23 novembro, 2009

PESSOAS FRIAS (Paulo Sternick)


Conviver com pessoas que não demonstram afeto e carinho pode se converter em experiência frustrante para quem espera as naturais e espontâneas expressões da calorosa intimidade do casal. Frios ou inibidos, secos ou distantes, narcisistas ou introvertidos - enfim, são vários os tipos psicológicos e múltiplas as razões que se escondem por trás de suas atitudes. Com freqüência, ele ou ela podem ser atraentes, inteligentes e carismáticos; às vezes, chegam a ser fascinantes e até dotados de misteriosa magia diante dos ingênuos e atônitos olhares de seus parceiros. Quanto mais qualidades têm, maior parece o tamanho e o efeito de sua frieza e distanciamento emocional, mais comuns a decepção e o sentimento de solidão que provocam no outro.
É verdade que a aridez afetiva por vezes é compensada por outras qualidades. Algumas pessoas mais secas, por exemplo, conseguem se soltar na hora do sexo e até satisfazem o par. Logo depois retornam ao seu enigmático fechamento, ou às suas ocupações egoístas, deixando o outro a ver navios. Mas não é preciso muita sofisticação para sentir que nenhuma cama, por si só, garante um casal por muito tempo sem outros ingredientes. Acontece que a personalidade humana é diversa e complexa, permitindo a posse de atributos e qualidades, e carência de outras. Ele ou ela podem ser ótimos na cama, brilhantes no papo, mas, ainda assim, têm algo que não rola na afetividade, deixando um sentimento de insatisfação no ar.
É claro que não é possível encontrar alguém e afirmar "bingo!" Sempre falta alguma coisa no outro. Se não falta, é porque quem não vê a falta está sonhando e alucinando seu par. Tudo bem que no início de uma paixão possa se sentir uma espécie de completude, mas com o tempo... Porém, até para suportar a inevitável falta deve haver um limite. O fato é que a frieza dele ou dela levanta angústias no par e testa sua capacidade de entender a relação sem misturar os próprios fantasmas. Tal como não se achar atraente ou bacana o suficiente para tirar o outro de sua toca e dar um pouco de si. Ou até confundi-lo com relações passadas, quando a mãe ou o pai não lhe davam atenção ou eram pessoas distantes - não por causa de serem introvertidas ou ocupadas, mas porque, na imaginação da criança, ela não teria qualidades para despertar amor.
Vejam que o foco pode se deslocar da pessoa fria para o par que sofre por causa disso. Vitimar-se é uma das conseqüências quando alguém carente se junta com um par que parece insensível. Utilizo "parece" porque muitas vezes o sujeito não demonstra, mas o afeto surge embutido no cuidado que tem com o par, na atenção a certos detalhes, na lealdade e na correção de atitudes. Digo isso porque, de forma inversa, muitos se iludem com demonstrações entusiásticas de "afeto". É importante lembrar que, levada ao limite extremo do espectro político, a emoção é um dos instrumentos de manipulação das massas, por abater o discernimento do indivíduo e sua capacidade de pensar com clareza.
Quantas pessoas não são enganadas por demonstrações falsas de afeto e dedicação que juravam "autênticas", mas, uma vez caindo a máscara, revelaram ser uma adulação para fins suspeitos ou ilícitos? Ou até para ocultar um desamor? São só exemplos que ocorrem entre o frio e o quente, e o que cada uma destas temperaturas amorosas, embora nada disso seja regra, esconde de seu sentimento contrário.
(Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ). E-mail: psternick@rjnet.com.br)

Um comentário:

  1. Realmente... Icebergs sobrevivem sós e em lugares longínquos... Quando se desprendem de seu habitat, vagam solitários até desaparecerem em sua própria magnitude... Assim são muitas pessoas... e como já disse, bem vindo ao mundo dos seres "humanos".

    ResponderExcluir

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.