SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 novembro, 2009

HOMEM NU (Cacau Loureiro)



Há lamentos ecoando no infinito
de uma alma triste...
Sonhos desfeitos, desviados caminhos,
orações suprimidas, dissimulados sentimentos.
Há dores que não tem medida, há males que
não tem remédio...
Não se mede a mediocridade dos seres, apenas,
constata-se.
Palavras soltas ao vento contaminando o
verbo sagrado, o sopro divino.
Conjecturas que não tem consistência
professam a volubilidade dos seres, os
seus caracteres dúbios, as suas têmperas
fleumáticas, as suas atitudes covardes.
O desvalor da criatura está em não se arriscar a “ser”.
Não se dimensiona os outros à nossa medida, porque
podemos ser pequenos demais diante de
virtuosos sentimentos.
Como pedir a quem não tem para dar?
Como fazer crescer as profícuas sementes
em terra que jamais recebeu cultivo?
E o meu pranto segue o seu trajeto universal...
O orgulho se disfarça em calma aparente, em
interesseira bondade.
Como esperar ética de quem contaminou a
essência da vida como se esta fosse política?
Como esperar indulgência de quem deu com
uma mão e tirou com a outra?
A arte da poesia foi massacrada pela
frieza mascarada de equilíbrio.
Um ser vivo pulsa e é divinamente colorido.
Os interesses escusos não proliferam em espíritos
mansos, modestos... E mãos vazias é sinônimo de
coração oco...
Na minha pouca fé eu oro, não vou a templos
porquanto sei que o meu corpo é sagrado e o
meu caráter transparente...
Eu sigo os caminhos dos homens nus, nem cruéis,
nem santificados... Eu faço o trajeto dos homens
simples que amam e esperam ser amados.

Um comentário:

  1. Não podia passar aqui e deixar de dizer o quanto foram incríveis cada palavra que vcê usou pra formular esse poema. O mais interessante é que, em momento algum, você se perdeu na hora de finalizá-lo. Estou seguindo o blog, te desejo boa sorte.
    beijo!
    ps: espero que você não me ache louca, rs.

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