SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 maio, 2026

NOITES ETERNAS (Cacau Loureiro)

Crivos de chuva adentram minha pele,

como se o céu viesse em gotas de cura

habitar meu corpo... Quando chegaste

havia o glacial frio embaçando meus olhos...

 

Noites solitárias em matéria inabitada;

medonhos eram sons que ao longe se

ouviam, o ranger das tábuas desenhava

caminhos para os montes sombrios onde

escondi meu coração entre espinhos e farpas.


As manhãs nunca chegavam...

na noite eterna, janelas emperradas

eram espelho das águas ruidosas e

torrenciais que não dissipavam a solidão.

 

Mãos fechadas não descerram a lucidez,

não liberam sementes para o plantio

dos tempos fecundos; deixei de lado as

roupas pesadas. O baú do passado já

não contém mais meus ossos; minha alma

fugiu pelas frestas onde pousou tua

cortesia reluzente.

 

E me vieram belas canções nos ventos

dos morros uivantes, porque a vida é

cantata bela, honesta, nascida nos espíritos

pulsantes; é música plena de existência

que nas noites mais friorentas se faz

presença quando o teu sorriso bate à

minha porta.


 

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