
sentir a umidade dos teus lábios férteis,
gôndolas a me conduzirem por teus canais,
singrar sobre teu leito de brandura, pousar
em tua ponte dos suspiros.
Ontem
choveu tanto... Mas a madrugada
preencheu meu peito de tuas nuances,
aquarela imersa em tuas águas cálidas.
Porque aonde teus pés forem, eu estarei...
colorindo em íris e âmbar a tua estrada.
Vi
tua silhueta em minha porta; as luzes
avessas trouxeram teu corpo aos meus
olhos em aguardo, no resguardo de
florações graciosas.
Eu
vejo tanto e tudo o que rebrilha em ti;
não há temores em voar por teu céu risonho.
Minhas asas são leves em tua companhia,
abrindo selvas e fronteiras, desvendando
tuas trilhas densas em calor e alegria.
Eu
me desprendo da terra para tocar teu céu
aberto; os ventos em meus ouvidos fazem tua
bela sonata soar em meus poros. Eu, frente ao
destino... aspiro e pairo.
Quero
o imprevisto de ti nesta paisagem que
me abriu os olhos para as alquimias do sentir...
Em estonteante páramo de benesses, eu me
faço ninfa alada.
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