SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

16 maio, 2026

SIMBIÓTICOS DO CAOS (Cacau Loureiro)

A brisa fresca secou meus olhos,

as lágrimas são rios que correm

em silêncio, nos rumos dos intensos

as pedras são detalhes na jornada.


Não há curvas para quem decidiu

viver em transparência quando as

pessoas são feitas de poeira e asfalto

nos rumos das estradas de ventanias.


Os olhares que lançamos sobre nós

mesmos são envelhecidos, há um

espelho que distorce nossas verdades e

assim contamos as histórias que nunca

foram nossas...


Queria muito ver gente,

mas, nessas arenas virtuais somos

gladiadores robóticos, simbióticos

do caos, personagens de Dante.


Metal nas doces palavras que não se

comprometem, onde os sonhos

envelhecem na correria dinâmica

dos que não se importam e dormem

com máquinas nas mãos.


Incoerências de quem vê em si mesmo

o cognoscível, mas ainda tateando

seus ecos ininteligíveis... conhecimento

apreendido em recortes factuais.


Em meio

à poluição que desce sobre todos

os nossos dias, chamas a consumir

o humano em nós, atos falhos a

entupir os acessos sensíveis,

viagem do irascível, aço, aço,

asco, daqueles que se chamam

homens a matar-nos por dentro

toda a humanidade que já nos

foi perceptível.

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