LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




23 de novembro de 2010

ALADO (Cacau Loureiro)

Há um sol lá fora que segue elevado que ao mesmo
tempo que arde sobre os homens, também arde
dentro de mim...
Ah!...Estes meus humanos rumos vividos em divina
essência no simples fato de tu existires...
Como voar em teu páramo azulado, impermisto,
irretocável em amor?!
Eu traço meu voo cego sabendo onde chegarei, eu levanto
minhas arrojadas asas conhecendo o que saberei...
Nesta história encantada, nada encanta mais que o teu
fado lírico, que a tua alma alada.
Laços profícuos que tomaram meus sentidos todos,
que povoaram meus pensamentos muitos, que afloraram
deleites em minha pele e flores em meu caminho...
Dá-me teu meigo olhar como preciosa joia, tua rara beleza
neste mundo insano para me curar, tua destra forte
neste globo parco em afeto para me maturar.
Teus campos vastos são premissas de um futuro bom que
virá, e eu prometo em tua várzea fértil ser embrião frutífero
a te alimentar em sumo amor, em excelso amar...

21 de novembro de 2010

LIS (Cacau Loureiro)

Eu avisto os lírios do campo, mas ainda não
encontro repouso... flor-de-lis onde deposito
saudade... lágrimas...
Minha aura exposta aos açoites do mundo,
meu coração aberto ao maior sentimento da Terra,
é o que me move, é o que me impulsiona e alenta-me.
O campo que vislumbro a minha frente é vasto,
tão amplo quanto esta esfera injusta, hipócrita da
desumana humanidade.
Contudo, o mundo ainda não me venceu, posto que
todos os dias eu edifico dentro do meu peito o meu mais
íntimo desejo, pois que não há limites para a liberdade
que proclamo em minha verve, o voar livre que intenta
a minha alma, e este grito que não cessa o meu suspiro,
que só faz ardente as aspirações que em mim se infundem...
Sobejam e retemperam-me.
Sobre humana sou quando pouso o meu cansaço em
teu abraço, quando reescrevo a poesia tantas vezes
alquebrada pelos ínvios caminhos dos homens.
Ainda impera a tua doce rima em meus lábios, como
um cântico agridoce que me edifica para o ser, para o ir,
resistir além de todos, além de tudo.
Despeço-me todos os dias da tristeza, porque busco
em cada tarde a doce espera que me convoca a
seguir adiante, e seguir irei.
Sobre pontes, areias, estradas eu suplanto os muros
do egoísmo, o falso amor que envenena o sangue
de toda esta raça de seres...
Em minha autenticidade eu sigo só, pois sós são os que
abrem o peito, e sangram de verdade; e eu esvaio-me
vida afora pelo puro êxtase de viver um amor poderoso.
E quererei sempre a verdade luminosa como o sol que
me levanta todos os dias para o teu despertar profícuo.
E neste amor que me aclama heroína, e nesta dor que me
declara mártir, neste reinado que me intitula rainha
inglória, eu sei que a vida me ofertará os verdes louros,
os verdes louros da vitória, amor!...

17 de novembro de 2010

DISPARATE (Cacau Loureiro)

Muitos alçam seus próprios voos, um voo solo, e na amplidão
celeste suas visões ficam mais curtas, e mais micros e diminutas
as suas sensibilidades.
No macro que abarca a existência, há de se ter olhos de águia
para planar e avistar o mundo que aspiramos, o mundo ideal.
No expresso da vida, há a pressa dos presos, escravos do
dia-a-dia, há as correntes do mundo com gosto de sal da Terra.
E nesta viagem solitária, solitários estão, apreensivos
pensam que estão convictos de seus planos e rotas.
Ah! Como somos soberbos, irmãos da invigilância, amigos
somos das serpentes enfeitadas, do que reluz e não é ouro.
Espreitamos do alto as vidas alheias, os recônditos desconhecidos
dos anônimos da vida e com o dedo em riste apontamos soluções.
Indicamos aqueles que precisam do resgate urgente, da pseudo
salvação e não nos preparamos para nossas próprias tempestades,
não sabemos secar prantos, não sabemos plantar esperanças,
não sabemos colher amor.
Pensamos que em nosso plainar estamos isentos, estamos
a salvo das intempéries, não estamos sujeitos as aflições do
mundo, tampouco aos espinhos das rosas.
À medida que engolimos distâncias, distantes ficamos do
que nos é valioso, do que nos nutre o espírito, do que
nos investe de força e de coragem para o contínuo voo
da dignidade em nós, das reais vozes da liberdade.
Meu trem ainda não passou, minhas metas ainda as teço
com esmero, pois que meus sonhos ainda não morreram,
e o meu âmago, embora contrito, desconheça frustração.


12 de novembro de 2010

AFEITA (Cacau Loureiro)

Tenho provado todas as bebidas...
Tenho inalado todos os perfumes...
Mas, só o que de ti ficou reanima-me
para a continuidade da vida, vivifica-me
para todos os sabores do mundo.
Nas noites insones a cortina da lembrança
é-me bálsamo para o coração inquieto.
Meus olhos pela manhã abrem-se ao sol
que outrora brilhou em meu caminho
permitindo-me o teu calor deífico, porque
em ti eu vislumbrei um arco-íris de belezas
tantas, de caminhos coloridos... saudades...
Não há como nominar os dias sem ti, sem o
teu remanso... esperanças...
Não há como admitir meus lábios sem os teus,
naquele terno abraço que nos reconstruía...
Angústias...
Não há como permitir-me ao prazer sem o teu
prazer, onde nossos corpos entendiam-se...
Solidão...
Sonhos amarrados em meu peito atrofiam-me
as asas, limitam-me o horizonte.
Eu quero as montanhas verdejantes do teu leito,
a liberdade para voar em tua vida...
Amor...

9 de novembro de 2010

ASCENDENTE (Cacau Loureiro)

O meu sol põe-se diariamente em teu
horizonte perpétuo, bonito... Intrigante
senti-lo em minha alma ainda ardente.
Em teu hemisfério abastado, radioso
eu percorro tuas cores de arco-íris e
intuo o teu aroma agradável de jasmim.
Em tuas asas morenas faço interestelar
viagem... Em tua admirável morada a tua
D’alva é quem me guia, assim eu
percorro o teu planeta flamante feito
rebento em um mundo novo, encantado.
Em teu celeste corpo, belo, prazeroso
eu levito feito criança e brinco em
teu transcendente jardim de sonhos!
...

6 de novembro de 2010

IMANENTE (Cacau Loureiro)

O páramo que sobrevoo em tua
morada é de azul sem par, infinito,
transcendental....
Tuas estrelas resplandecentes
mostram-me caminho contemporâneo.
Não temo a tua rota, porque o teu
rumo eu vou tomando como nau...
Não posso parafrasear tal sortilégio.
Teu sol brilhante a reviver-me o
espírito inculto, minha vida tosca.
Neste domínio que a mim se apresenta
indecifrável, eu pressinto-te, eu
escuto-te nos mais silentes recônditos.
Na minha mente absorta, na minha
alma errática, no meu coração vagueante...
A tua imagem fixa!...

4 de novembro de 2010

LIBERTADOR (Cacau Loureiro)


Acredito que ainda existam seres iluminados,
em algum beco do mundo, em alguma viela
da cidade...
Porque nada neste mundo pertence-me...
Então, despojo-me dos andrajos do mundo,
limpo-me dos medíocres da terra.
Tenho subido aos montes, tenho descido ao
inferno das míseras almas, mas o meu cajado
foi firmado no solo dos que olham adiante e
veem que há uma promessa a ser cumprida.
E eu preparo o meu coração para a semente
que irrompe destemida, porque a liberdade
da justiça ninguém estanca, na escolha do
Altíssimo ninguém esbarra.
Depositei minha alma no sacrário dos que
almejam a salvação, mas sou apenas um
pobre peregrino neste planeta de desmandos
humanos.
Por isto, eu abro o meu peito à batalha, abro os
meus olhos ao sol da eternidade e aguardo a
chuva que regenerará os que buscam o prado
do Pai nesta seara do mundo iníquo que vivemos.
E sei que os meus olhos testemunharão a grande
mudança e o meu coração encontrará repouso.
Tenho batalhado nas arenas dos torpes e o meu
aprendizado tem sido pela espada que sangra e
que também cicatriza. Mas, eu espero no Senhor,
Deus de toda honra e glória imortais, pois que
o seu fogo eterno livra, cura e liberta, amém.