SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

27 junho, 2011

DISPARATE (Cacau Loureiro)



Não me falta inteligência, muito menos me falta
amor... e mendigar afeto não é o meu lema,
tampouco, minha filosofia de vida.
Os meus desafetos sabem o porquê de
não amá-los tanto, embora, o amor seja
a lei primeira entre os cristãos, ou deveria ser.
E ainda que eu tenha aprendido à duras penas,
eu tenho ainda esperanças na humanidade.
Não encontrei muitos fiéis na doutrina da
existência, não testemunhei adeptos da cristandade...
Os templos andam lotados de hipócritas. Todos,
nós, lá no mais profundo de nosso ser somos
iminentes carrascos, professores de sentenças
sórdidas e injustos sentenciadores.
Plagiando o Cristo, escrevemos na areia da
atualidade com o dedo em riste, gritamos
ferozmente por uma paz transmutada em guerra e
sangue, disparates conclamando à salvação.
Há jardins onde somos traídos, oásis onde nos
tornamos desérticos.
A espada retirada da bainha não decepa orelhas
e nem transforma em cinzas as víboras falantes,
porque as más línguas serão por todo o sempre,
o chicote do corpo.

24 junho, 2011

GALANTE (Cacau Loureiro)


Consinta-me traçar em tua castidade
os meus caminhos de rochas, mas
também de mil sorrisos, pois contigo, em
sublime graça movo-me em contentamento,
ando em felicidade.
Permita-me em total ternura e desejos,
tocar tuas sinuosidades, porque nas vias
por onde sigo, as da honestidade, eu brinco
com pueris vaidades.
Conceda-me meu bem amado, viajar nas
tuas rotas para chegar além de mim, para
estar aquém do que mereces...
Mas, aceda-me ainda, inspirar-me em tuas
dádivas, benesses, permanecer em lavra
e cultivo de afetos, em palavras e gestos de
afagos, em sincera forma de amar-te.
Possibilite-me em corpo, alma e espírito,
em signos, sonhos e verbos, tecer este simples
rimalho de meiguice para te alcançar em ardor.
Em teu doce amplexo, querido faculte-me,
refazer-me todos os dias em teu distinto amor!...

23 junho, 2011

DIAMANTE (Cacau Loureiro)



Ah! Quando me abraças ser de luz,

esta energia que me aflui me toma

todos os poros!...

Embriagar-me neste frisson é algo

primoroso, já que o meu espírito

entregue está em tuas suaves mãos.

Os teus lábios como bálsamo-tranqüilo

trazem-me a paz que liberta, reedifica.

Como explicar este raro encontro no

encanto da esfera orbital de teus olhos

de diamante?!

Eu sigo este feixe de luz que promana

do teu repleto seio, sem medos, sem

meandros, sem rodeios.

Nesta estrada em que me guias não mais

sou nômade, finquei raízes em ti!...

Neste paroxismo que me toma e me abala,

não mais sei se sou dominada ou se domino...

Ah! Teu ser criança, alado, quase menino,

fez-me voar nas asas de Cupido!

01 junho, 2011

PRAZENTEIRO (Cacau Loureiro)


Revolvo o meu peito inundado de quereres,
entre as coloridas flores, os espinhos que me
sangram a alma farta e transitam aprazerados
entre minha pele e músculos.
Viver é arder em desejos, e os impulsos não
fazem invioláveis, nem santificam pecadores.
Há um céu fora de mim que me move como
as nuvens, mas, há um céu em meu interior
que me faz voar em solo onírico, e leva-me à
terra dos poetas insaciáveis.
O que de mim brota é profuso, abundante,
exuberante, incontrolavelmente copioso.
Renovo-me em teu sorriso, por ti não morro,
porque em graça e vida eu em ti me animo.
Em teus viçosos caminhos meus pés seguem
descalços, não há prudência quando já se
sangra em vivo ventre por entre castas arestas...
...perdida e sôfrega em teu paraíso.
Visto-me de vento, aragem morna dos que
votam afeto imensurável... teço percursos
ínvios, posto que para amor não existem
perfeitos caminhos...

29 maio, 2011

ARDOR (Cacau Loureiro)



Jamais esquecerei este outono...

Na névoa da manhã o teu sorriso como

sol desperta-me para o clarão do dia;

vida a adentrar minha alma aberta, a

brindar meus olhos encantados...

Neste frio que me abraça, o teu halo

arrebatadamente liberta.

Não há dor quando o teu bálsamo é como

precipitação das chuvas a amansar a pele
térmica... solo abrasivo das paixões...
Acalma-me, pois, o peito com tuas mãos ternas,
faz-me eterna na dança das maiores emoções!

O ritmo da vida é harmoniosa canção quando

decifro as notas do teu coração pleno, da tua

expansiva aura.

Não há o que me detenha quando o teu ardor

levanta-me em entusiasmo, o teu aroma acorda-me

em louvores e o teu existir revigora-me em amor!...

24 maio, 2011

CANTADA (Cacau Loureiro)

Há algo de pele em nós dois, a tua voz
aguça-me, tuas palavras assustam-me,
teu tom atrai-me, busca-me de alguma
forma sensual.
Como uma essência de desejo afluindo
a mim, germinando assim uma vontade
de ir mais fundo, de ir além.
Uma liga doce, forte, carnal.
Eu quero sim, molhar meus lábios,
com meu batom delinear tua boca,
fitar teu rosto, em ver em teus olhos
o que está nos meus...
Não me importa o amanhã, o futuro
seja bom ou malsão... o agora é o
que interessa, sei da ansiedade, sei
da pressa, tu sabes também.
Contudo, permita-me...
Não quero ferir-te a alma, quero apenas
marcar teus lábios, timbrar teu corpo,
apenas, experimentar teu gosto... selar
esta vontade transpassando os meus
braços por teu pescoço... cheirar teu
rosto, extrair estímulos, sanar a sede,
refrear a pressa que agora me transtorna,
e não contorna esta distância.
Eu sinto, existe a química, como uma
força atrativa, radioativa, que é fluídica,
mas, que não vai embora, não evapora.
Eu quero o conto e o encanto do encontro...
Porque eu te “canto” todos os dias, com
todas as letras... mas, saibas que sou
comporta, sou represa, e minhas amarras
terás que desatar... tocar em mim, chegar
mais perto, falar baixinho, aquecer-me,
desdar os nós e me ganhar.

22 maio, 2011

ALMA RARA (Cacau Loureiro)

Hoje é um lindo dia para se ter saudade,
há tantos acordes nesta manhã ensolarada
que fazem canção em meu coração teso.
E eu canto feliz por me encantar com a
tua essência rara...
Pouso os meus lábios em teus lábios em
síntese e sagração aos nossos corpos...
A minha boca na tua é sopro de vida em
minha semimorta alma.
Na correria do mundo, ainda é belo assistir
ao milagre da vida, o amor que reacendes
em mim. Tu és aurora e pôr-do-sol em meu
poente, poesia para os meus poemas tortos.
Em teu semblante de alegria, alma rara, eu
procuro entender meus labirintos, a minha
vida de incógnitas.
Quando te olho e olho-me no espelho do
mundo há tantas órbitas, caminhos insanos...
É tanto querer que me habita, há tanto para
encontrar, descobrir, viver...
Por que todos os rumos levam-me a ti neste
mundo sem respostas?!
Há tanto ainda para se sentir, há tanto ainda
para se ter...
Minha viagem cármica mostra-me cruéis
humanos, direções opostas, mas, eu quero
e desejo ardentemente a mocsa!...

16 maio, 2011

CONTIGO EU CHEGO A MIM (Cacau Loureiro)


Quero contigo chegar a mim,
principiar o que não sou,
extinguir o que cansei de ser
e em ti conhecer-me.
Desvendar mistérios meus,
descobrir e revelar mais e
mais os teus, e sem acenos
de adeus, eu quero que
permaneças em mim.
Quero que mores em minhas
entranhas, sem lágrimas, sem
dores, sem segredos, sem
pudores...
Faça-me conhecer o mundo,
sem que eu me afaste de ti.
Bebas em mim a água mais
límpida dos rios menos tranqüilos
dos sonhos que eu teci.
Traga-me de volta o sorriso
de criança, minha mais doce
herança da vida que não vivi.
“Ah como pões dentro de mim,
a flor, a estrela, o vento, o sol,
a água, o sonho!...”
Ah, eu sei sim!
“Como contigo eu chego a mim!”
**VERSOS ENTRE ASPAS DE AUTORIA DE MANUEL BANDEIRA