SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

27 junho, 2011

DISPARATE (Cacau Loureiro)



Não me falta inteligência, muito menos me falta
amor... e mendigar afeto não é o meu lema,
tampouco, minha filosofia de vida.
Os meus desafetos sabem o porquê de
não amá-los tanto, embora, o amor seja
a lei primeira entre os cristãos, ou deveria ser.
E ainda que eu tenha aprendido à duras penas,
eu tenho ainda esperanças na humanidade.
Não encontrei muitos fiéis na doutrina da
existência, não testemunhei adeptos da cristandade...
Os templos andam lotados de hipócritas. Todos,
nós, lá no mais profundo de nosso ser somos
iminentes carrascos, professores de sentenças
sórdidas e injustos sentenciadores.
Plagiando o Cristo, escrevemos na areia da
atualidade com o dedo em riste, gritamos
ferozmente por uma paz transmutada em guerra e
sangue, disparates conclamando à salvação.
Há jardins onde somos traídos, oásis onde nos
tornamos desérticos.
A espada retirada da bainha não decepa orelhas
e nem transforma em cinzas as víboras falantes,
porque as más línguas serão por todo o sempre,
o chicote do corpo.

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