SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

30 julho, 2026

VOZES DO TEMPO (Cacau Loureiro)

Ouço as vozes do tempo, elas
rimam a poesia da jornada...
Versos cravados no peito,
como inscrições na casca
das árvores, onde sonhos e
paixões deslizam como a brisa
da manhã em meus cabelos.

Sopro aos ventos, levanto as
cinzas que me fazem aspirar
as histórias... fogueira que
ainda hoje arde em mim.

Vesti meu vestido colorido,
laço de fita na criança que
ainda cresce e vive... sorri
ao enfrentar as intempéries,
brinca na chuva, corre pelos
quintais entre as flores rosadas
das paineiras, tronco forte a
se erigir ao céu, azul estonteante
das lembranças.

Colher os frutos maduros e
alimentar o espírito das coisas
fecundas, sementes a se espraiarem
com a força indômita da natureza
que persiste, resiste e floresce...

À sombra das memórias, rebusco
o que agora sou e canto aquelas
canções que embalaram sonhos,
a vida, rede dos profundos afetos.

Viajo como os pássaros,
olhando do alto o cume que
galguei em lições, e hoje me
assento na escola dos belos
ensinamentos, aprendiz na
travessia das vivências.

Rio caudaloso molha meus pés;
corre forte. Sorrindo, eu sigo
lavando o rosto e a alma, e enfim
me reconheço no espelho d'água,
a refletir o sol que sempre brilhou
em meu caminho.

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