SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

07 fevereiro, 2024

BEL-PRAZER |(Cacau Loureiro)

Esta semente que cresce e germina em saudade,

é frágil, mas, perante a luz que promana dos teus

olhares férteis, do teu sorriso de águas nítidas,

faz-me fincar as raízes fortes dos sentimentos

puros, cristalinos, longevos.

As roupas envelhecidas, os jeans desbotados

são mudas esquecidas no sótão das lembranças

nebulosas, mas, o presente me é vestido novo

onde trajo o âmbar dos teus olhos profundos...

Corações arfantes, ventrículos consonantes,

respirados em partes que ora são tuas ora são

minhas preces... balbuciantes vendavais onde se

misturam carne e ossos, dentes e músculos...

espíritos em convergência de misteriosos sinais...

Veleiros são teus lábios molhados fazendo-me

singrar os mares dos desejos, ponte para os amores

reais e benfazejos, lá onde nascem os austrais.

Há um verde singular onde floresce tua relva, há um

colorido ímpar onde admiro tuas rosáceas flores,

bárbaras e belas são as tuas lavras, terras do sem fim

onde me acho e também me perco.

Não sei para onde voo e para onde vou, nos confins

do teu corpo quente há a seiva que me volve para a

terra, mas, esquecer-me em ti é bom alvitre, é correr

de tempo bom em minhas veias, é beberagem aquosa

de cura, cônscio bel-prazer onde tudo me lembra você!

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