SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 outubro, 2022

A CURA (Cacau Loureiro)

 

Desejo de todo o coração que a febre do

mundo de hoje não te tenha acometido.

Que o discurso do eu primeiro não tenha

adoecido a tua alma e que o céu permaneça

morando em ti. E que também, continues 

enxergando os outros como teus irmãos,

a verdadeira sororidade do universo.

Eu desejo muito e de todo coração que tu

não tenhas destruído a boa criança que

existe dentro de ti, pois, só assim eu

acreditarei que este mundo tenha jeito...

E que a indignação não te tenha abandonado,

e que ela transforme e que ela possa

revolucionar através do amor incondicional

levando-nos as coisas belas.

Que as águas que curam possam acessar

nossos poços profundos já cheios de lágrimas

arrasadas...

E que o sol penetre abundantemente os teus

olhos e possa maleabilizar nossas almas agora

tão endurecidas pelo sofrimento porque eu 

sei que a dor é passageira.

Que possamos fazer o diferente porque mais

do mesmo já nos cansou faz décadas.

Ah! E que nossas mãos saibam o que é 

caridade e generosidade porque estamos

escassos assistindo a miséria com comiseração.

Também desejo profundamente que largues a

espada desta luta que travas contra si mesmo, pois

que matando-se também matas o melhor do outro.

E que aprendamos a viver para e com o outro

sem os óculos do egoísmo disfarçados de

empatia. E que o teu coração não se esquive do

perdão, daquele olhar de compaixão, daquela

alegria de compartilhar o melhor que somos com

o nosso semelhante apesar de todas as nossas

mazelas interiores.

Que saibamos num ato de coragem curar nossas

dores e as dores alheias, porque a dor tem que

nos tirar sempre deste lugar de acomodação.

Desejo, e desejo muito que conheças e reconheças

a gratidão, não pelo caminho estreito, mas sim pela

estrada linda, pelas linhas da palma de tua mão.

Desejo, ah! Como desejo... que tu tenhas a paz,

aquela que somente o divino pode dar, e de repente

reconheças num insight de ternura que somos apenas

passageiros e mal sabemos o tamanho da mala

que haveremos de deixar.

Desejo de todo o coração que o trem da vida te seja

leve e te leve às melhores paisagens e que tu

realmente as saiba admirar... e que este trem não

corra muito, mas também não corra pouco, só não te

deixes parado onde estás!...

É porque a vida anda depressa, e a vida é tão rara,

Ah, a vida! “A vida, o vento a levou!”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]

Gratidão pela leitura sensível.