SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

17 novembro, 2010

DISPARATE (Cacau Loureiro)

Muitos alçam seus próprios voos, um voo solo, e na amplidão
celeste suas visões ficam mais curtas, e mais micros e diminutas
as suas sensibilidades.
No macro que abarca a existência, há de se ter olhos de águia
para planar e avistar o mundo que aspiramos, o mundo ideal.
No expresso da vida, há a pressa dos presos, escravos do
dia-a-dia, há as correntes do mundo com gosto de sal da Terra.
E nesta viagem solitária, solitários estão, apreensivos
pensam que estão convictos de seus planos e rotas.
Ah! Como somos soberbos, irmãos da invigilância, amigos
somos das serpentes enfeitadas, do que reluz e não é ouro.
Espreitamos do alto as vidas alheias, os recônditos desconhecidos
dos anônimos da vida e com o dedo em riste apontamos soluções.
Indicamos aqueles que precisam do resgate urgente, da pseudo
salvação e não nos preparamos para nossas próprias tempestades,
não sabemos secar prantos, não sabemos plantar esperanças,
não sabemos colher amor.
Pensamos que em nosso plainar estamos isentos, estamos
a salvo das intempéries, não estamos sujeitos as aflições do
mundo, tampouco aos espinhos das rosas.
À medida que engolimos distâncias, distantes ficamos do
que nos é valioso, do que nos nutre o espírito, do que
nos investe de força e de coragem para o contínuo voo
da dignidade em nós, das reais vozes da liberdade.
Meu trem ainda não passou, minhas metas ainda as teço
com esmero, pois que meus sonhos ainda não morreram,
e o meu âmago, embora contrito, desconheça frustração.


2 comentários:

  1. Minha querida

    Um texto de vida, muito reala e para reflectir nele, adorei.

    Deixo um beijinho com carinho
    Sonhadora

    ResponderExcluir
  2. Adoro seus textos, esse é muito lindo, parabéns!
    Ah, tem um selo pra ti lá no meu blog, http://spelhodeminhalma.blogspot.com

    Um lindo final de semana.
    Beijinhos

    ResponderExcluir

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