SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

21 novembro, 2010

LIS (Cacau Loureiro)


Eu avisto os lírios do campo, mas ainda não
encontro repouso... flor-de-lis onde deposito
saudade... lágrimas...
Minha aura exposta aos açoites do mundo,
meu coração aberto ao maior sentimento da Terra,
é o que me move, é o que me impulsiona e alenta-me.
O campo que vislumbro a minha frente é vasto,
tão amplo quanto esta esfera injusta, hipócrita da
desumana humanidade.
Contudo, o mundo ainda não me venceu, posto que
todos os dias eu edifico dentro do meu peito o meu mais
íntimo desejo, pois que não há limites para a liberdade
que proclamo em minha verve, o voar livre que intenta
a minha alma, e este grito que não cessa o meu suspiro,
que só faz ardente as aspirações que em mim se infundem...
Sobejam e retemperam-me.
Sobre humana sou quando pouso o meu cansaço em
teu abraço, quando reescrevo a poesia tantas vezes
alquebrada pelos ínvios caminhos dos homens.
Ainda impera a tua doce rima em meus lábios, como
um cântico agridoce que me edifica para o ser, para o ir,
resistir além de todos, além de tudo.
Despeço-me todos os dias da tristeza, porque busco
em cada tarde a doce espera que me convoca a
seguir adiante, e seguir irei.
Sobre pontes, areias, estradas eu suplanto os muros
do egoísmo, o falso amor que envenena o sangue
de toda esta raça de seres...
Em minha autenticidade eu sigo só, pois sós são os que
abrem o peito, e sangram de verdade; e eu esvaio-me
vida afora pelo puro êxtase de viver um amor poderoso.
E quererei sempre a verdade luminosa como o sol que
me levanta todos os dias para o teu despertar profícuo.
E neste amor que me aclama heroína, e nesta dor que me
declara mártir, neste reinado que me intitula rainha
inglória, eu sei que a vida me ofertará os verdes louros,
os verdes louros da vitória, amor!...

Um comentário:

  1. Minha querida

    Um poema forte e profundo...dorido, mas com a força da esperança e do sonho...ainda.
    Adorei é lindo.

    Beijinhos com carinho
    Sonhadora

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