SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

31 março, 2026

SAPIENCIAL (Cacau Loureiro)


Sempre do alto descem as luzes.

E como recusá-las,

se são elas que rasgam a noite da alma

e me mantêm de pé,

em paz;

único sustento nas eiras revoltas

da humanidade?


Sigo.

Por vias sinuosas, sim,

mas com o sol coroando minha cabeça

e um sopro antigo aceso no peito,

esse impulso que me impele

a desbravar-me.


A vida…

não é senão filosofia encarnada

no coração que se curva...

onde a guerra já não encontra morada,

e só o que brota de dentro

tem força de verdade.


Porque o divino insiste em mim.

Sempre.

Tanto.

Com tamanha intensidade

que a poesia me transborda:

escorre dos dedos,

inunda os olhos.


E é essa vida que escolho,

a que me alcança em luz,

nas palavras que me foram sopradas

ainda menina,

pelos mestres primeiros,

que ensinaram com afeto

e a severa doçura

de suas missões sagradas.


Por minhas mãos, eles retornam:

ganham corpo, gesto, presença e

atravessam-me como telas vivas.


E a eles, eu rezo.


Porque formar a juventude

é tocar o invisível como ofício

é ser, ainda que por instantes,

ungida

por espíritos sapienciais,

através das claridades do céu.

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