SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

23 fevereiro, 2026

TÚNEIS E ASAS (Cacau Loureiro)


O que permanece do homem...

Dentro dos túneis passamos velozes,

não haverá tempo... Após a travessia, a

luz me espanta os olhos; ainda há estradas

à frente. Os desertos são cansativos,

mas necessários.

 

O tempo escoa entre os dedos: não lava

as mãos, não arranca lembranças...

enche os olhos de areia

e faz dos calcanhares tacanhas pegadas.

 

A passos lentos jamais se alonga o tempo.

É preciso o movimento do espírito,

é necessária a ação dos pés;

forçoso é molhar os lábios

com o doce da esperança

nos manás do desabitado.

 

O ego trava as tristes trajetórias: toda

desistência é covarde, todo orgulho

é veste barata nos brechós das esquinas,

onde as almas se despem — despedem-se.

 

Despojo-me dos mantos que me encobrem

a face. Não há máscara que caiba em minhas

verdades. Tolos seguem trilhos

de conduções superficiais; bagagens

amarradas ao pescoço impedem

as aspirações de um futuro próspero.

 

A dor deveria libertar —

até porque eu criei asas...

Anelos, eu sei,

hão de me fazer voar...

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