SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

25 fevereiro, 2026

PROVISÃO (Cacau Loureiro)

Portões fechados… Mas… ainda

há um céu azul sobre minha cabeça,

onde nuvens se ajuntam para dar.

Há abundância nos recolhimentos,

onde os incômodos sublimam as

máscaras das ostentações, que eu sei,

são passageiras.


Enquadro os muros que me cercam,

foram pintados com detalhes no intento

de deixar-me imune ao caos de algumas

almas superficiais que adentraram, outrora,

em minha tenda com permissão.


No meu jardim, as lágrimas de chuva

intumesceram os frutos que haverão

de ser colhidos com intenção. Porque

não mais serão hissopo de azedo vinho.


Nem sempre a colheita vem no tempo

que se espera; dentre as sementes

há sempre as que não prosperam e,

teimosas, apenas preenchem espaço,

despendem um tempo precioso… 

Não amadureceram: foram súbita fartura

nas tempestades desérticas de quem

passou em caravanas.


Mas que tudo seja bom cultivo, para

que a mesa se ponha em abundância —

nem toda prodigalidade aplaca a fome,

nem toda água é capaz de matar a sede

de quem cavou na aridez o próprio oásis.

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