Chuvas torrenciais remexeram o solo da alma...
O que parecia devastação foi preparo, nada
impede que as flores brotem no chão fértil
das coragens.
Ruidosos, os ventos obrigaram-me ao recolhimento,
refazimento dos simples mortais. Quando a mente
descansa seus circuitos na paz,
no silêncio que amadurece o ser,
só o tempo revela as clarezas.
O sol adentra forte o centro do peito e escancara
os olhos para as verdades incontestáveis.
Caminhos são extensos rios de águas bravias
a desvendar os mistérios dos destinos,
burilando as resistentes pedras.
Pés molhados, cabelos em desalinho, braços abertos
ante a brisa dos renascimentos, cicatrizes transformadas.
Meu riso aberto entoa um hino que ecoa em meus
ouvidos como ritmos de cura. Eu sei: a força que levanta a
aurora nas manhãs em que, em preces, solicito remédio
para as dores também me soerguerá,
como terra de coragem entre rochedos.

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