SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

19 fevereiro, 2026

CENTELHA NEGRA (Cacau Loureiro)

 

No meio do caminho havia uma pérola,

havia uma pérola no meio do caminho...


Entre o pousar dos confetes e serpentinas,

no colorido calor do carnaval dos homens

eu vi o sol ardente como sinal.


Entre as cinzas que restaram de um passado

acovardado, reacendo as centelhas de um

futuro que haverá de arder com ousadia;

só os que lutam podem vencer

e tirar da lama os tesouros do asfalto,

os embriões da esperança.


A verdade é como relampejo de consciências

nas sombras dos que não sabem sobre a

revolução das substâncias...

sumo essencial do ser.


Entre as algazarras já silenciadas dos festejos

do corpo, pressenti as alegrias das quididades,

frescor de verão a bronzear-me a pele de arroubos.


E a pérola corria pelas vielas da cidade,

na sinuosidade das esquinas,

desenhando mapas de descanso,

tecendo redes para pousar meus cansaços

em rotas de bons desejos.


Nas ruas de pedra, nas alegorias dos sonhos,

abri as alas.

Pisei na avenida.

Segui tuas batidas.

Hasteei tua bandeira.

Dancei teu carnaval.


E então —


No meio da euforia

havia uma pérola escondida.


Entre cuícas e surdos

aconteceu o inarrável.


Escrevo na tela em neon,

pinto em carro alegórico gigante:


pérola negra,

vem cantar

o meu canto.

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