LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




25 de julho de 2011

FRATERNO (Cacau Loureiro)


O teu sorriso franco me desperta em alegria...
Quando por ti sou acolhida o meu espírito
liberta-se em satisfação.
Sortilégio encontrar amigos-irmãos,
esperança entrelaçada de carinhos...
Dádiva maior reencontrar os laureados
pela divina luz, amor fraterno banhado
em afeição.
O teu interior refaz-se em claridade,
exteriorizada em teus olhos de afeto,
em tuas mãos de caridade.
O Grande Mestre sabe todas as coisas,
as causas de cada um de nós viventes;
o meu cansaço em teu abraço, a minha
súplica em teu universo de doçura se
configura... amor ao próximo!...

20 de julho de 2011

PANDORA (Cacau Loureiro)

Em amansadas águas seguem os meus sonhos,
aspirações de uma humana alma com todo o
seu singular padecimento...
Há lágrimas passadas que não mais movem
moinhos, e há as águas novas, límpidas que
me dissipam os meandros do medo.
A paisagem desconhecida para onde sigo
faz-me mais forte, numa força sobre humana
que emerge e irrompe do âmago dos que por
demais amam, amaram...
Amaro e mel mesclam-se nos rumos das águas
agitadas do destino, dimensão dos viventes.
Lavo o rosto, limpo as mãos, mas reconheço
os tiranos, todos que me tiraram a paz...
Contudo, há mansidão em meu espírito porque
a força do meu caráter é inabalável, e só não me
permite a escravidão, as grades dos desalmados,
as correntes dos que se aprisionaram ao lago e ao
lodo do desprezo.
A vida é-me presente, jarro onde guardo raros dons,
é belíssima caixa de Pandora onde apreendi o amor
e libertei a esperança...

19 de julho de 2011

ALUMIAR (Cacau Loureiro)

É lúdica manhã em meu seio pressuroso,
neblinas d’alma dissipadas em cânticos de
solares raios.
Há cor e fascínio em meu caminho, estradas
que não tem fim porque infinitos os rumos do
coração...
Há crianças e flores saltitando nas calçadas,
pois não há abandono em almas aquecidas...
Empresta-me um sorriso que eu te dou um
arco-íris, uma canção de paz, minhas mãos
de amigo.
Ah! Eu brinco de primavera em alvoradas
de friorento solstício porque um louvor de
apego ecoou em meu frágil peito; revoada
de pássaros em meu orbe estático alumiada
por teu rosto cândido.
Há sons que só um coração menino ouve,
há línguas que só um coração sincero traduz...
Sutileza e luz despertaram minha alma...
Encanto!...

12 de julho de 2011

PRANTEAR (Cacau Loureiro)

Eu engulo o pranto, porque as lágrimas
nunca me levaram às mudanças.
De peito aberto eu enfrento a bandida vida,
no cansaço que me faz mais forte para
crescer, lutar... perseverar, vencer...
Para mim o amanhã é agora, o momento
que me empresta a realização.
Teu ombro amigo de amor é a fibra que me
sustém mesmo entre discursos de intolerância...
Fortaleço-me em teu braço forte que também
é calma e doçura, dossel de ternura onde
acalmo minhas dores.
Constato olhares humanos em si mesmos...
Silêncios de muros altos entre almas, não
há irmandade quando admitimos as correntes...
há muito há becos escuros onde um não quer
encontrar mais o outro.
Busquei tanto as mãos... esperei tanto os
abraços; lamento as flores que vieram tarde,
ah... os espinhos mascados pelos anos de
desprezo, sementes genuínas de distanciamento...
Eu pranteio a morte... a morte dos vivos que não
sabem mais viver e não mais querem resgatar
a vida que ainda no outro grita...

8 de julho de 2011

CIRANDA (Cacau Loureiro)

Criança fico quando permaneço contigo,
verto estrelas aos teus pés...
Ah, esta ciranda de flores!...
Não se prende corações com os grilhões
do mundo, não se mata afinidades com
os punhais do tempo.
O que guardo para ti é o que em mim
tu originas... paixão, maior que eu, maior
que tu, inteiro nós.
Zelo por ti todos os meus dias, pois que
o meu pensamento é constante oração.
Lapido-me em teu espelho porque tu és
candura e paz em meu caminho; reparto
contigo a hóstia consagrada do mais puro
afeto, o ouro perpétuo dos mortais...
Abro-te os meus braços e recebo-te com
alegria em cânticos dos que se embriagaram
de venturas.
Quero em teu ombro descansar...
Cinge-me com tuas mãos a minha
cabeça, purifica-me dos lamentos,
consagra-me em tua dileção, dá-me
o privilégio de aceitares o meu sentimento
supremo... amor!...

7 de julho de 2011

ÁDVENA (Cacau Loureiro)

Através de portas e janelas recolho-me em
minha fria cela...
Como descobrir a que mundo pertence
outros seres que como eu, por meio de seus
vãos interiores, as suas vidas descerram?
Eu quero para mim o que para ti queres...
Não há meio termo quando abraçamos a renúncia
do não, as causas que não nos elevam...
Quando me desconheço não reconheço o
que comigo segue, como mostrar caminhos
se não sabes que caminho segues?
Ao contrário do que se professa, o egoísmo
rasteja silencioso... feito serpente espreita,
feito cicuta envenena.
Estrangeiro sou nas terras do inconcebível,
nas raias dos temerosos...
Exponho minhas armas, abro o peito à franca
luta, no embate a que me entrego eu prefiro
as bestas-feras.

5 de julho de 2011

FIXAÇÃO (Cacau Loureiro)

Imagens impressas em minhas retinas não
apagam o teu tempo, o nosso tempo na
marcha do universo... eles permanecem.
A grande aventura da vida está em
reavivar os sonhos, em ultrapassar
obstáculos, em se ter coragem para viver!...
O encantamento pelo outro está fixado
em nós, como preciosa joia guardada a sete
chaves; na verdadeira voz que vem de dentro,
no ritmo que damos aos nossos sentimentos,
na profusão de valores do verdadeiro eu interior.
A grande jogada da existência está em
partilhar e enxergar o outro com plenitude,
assim como gostamos de ser percebidos.
Manter as emoções íntegras compreende
contribuir e colaborar com o outro, consiste
em também perder... e reaver. É traduzir
espera em esperança e tratar as novas
sementes no ontem, no hoje e no sempre
com o amor edificado em respeito àquele
que se transmudou.
Não, não quero fechar os meus olhos... e
mesmo que os fechasse... os teus já estão
gravados em minhas retinas...