SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

21 janeiro, 2010

CORDIAL (Cacau Loureiro)


É belo o sol que se levanta contigo, posto
que já verão em meu peito incontrito.
Como flor do dia a clarear minha alma
insana eu dirijo a minha prece ao Pai.
Porque quero que todos os mantos de

bondade cubram-te de bênçãos e amor...
Eu olho o mar que se apresenta a minha
frente, e ele é vasto como o calor que
arde em mim.
O horizonte que se perde nele me faz
ir ao teu encontro, pois que já não quero
mais estar aqui...
E eu viajo nestas letras que se ajuntam em
minha essência destoante em música suave
e juvenil, danço em tua rima cálida, porém
terna que me faz vibrar em pele e músculos,
em alma e coração.
O meu corpo diz, eu quero; meu âmago diz,
eu preciso... E em todas estas necessidades
eu estendo a ti minhas mãos de afeto. Pois
que os laços se fazem no invisível e também
nas distâncias dos olhares, na extensão das
vias e dos trilhos desta belíssima viagem.
A estrada que meus olhos não alcançam é
infinita em sentimentos primevos, porque
tudo é novo e renovado em ti.
Meu ser em cânticos encantado está; o doce
som que vem aos meus ouvidos acalenta
meus sentidos primitivos, minha carne ardorosa.
Nesta aura misteriosa eu desfio meus versos
frágeis, meu espírito baldio, e ainda sim
desbravador de ti.
Fito as flores que o astro rei insiste em avivar,
são as belas rosas do caminho... aveludadas e
cheias de cor. Tenho o privilégio de assistir
ao milagre da vida reacendendo o meu estro
para o mais cordial amor!...

19 janeiro, 2010

CORAÇÃO GENUÍNO (Cacau Loureiro)


Eu desponto novo céu, nova paisagem, em
luz, em calor, em comoção...
Como veleiro a singrar sem ansiedades em
mar de calmaria... Adentro este mundo
enigmático e promissor das estrelas perenes
do crescimento interior.
Sobrevoo campos verdejantes, sem fim, pois
que infinito pode ser o coração humano em
sabedoria, em amor.
Nas distâncias pouso teus olhos e adormeço sob
teus cílios espessos como virgem mata.
A estrada entre tu e eu é, ao mesmo tempo, tão
curta e tão larga.
A lira por onde te toco sensibiliza-me, posto que
hoje és a cifra mais bela de minha pauta outrora
esquecida no empoeirado tempo onde permaneço.
A tua melodia em meus ouvidos como o ar que respiro,
como o sol em minha pele, como o sorriso em minha
face faz-me oscilar ritmadamente em teus sons
aprazíveis, até oblíquos.
Eu enxugo meus olhos em tuas mãos benéficas, em
teus lenços macios e quentes.
Desperto em teu berço de montanhas altaneiras,
pois que há azeite em tuas metáforas, há néctar em
tuas palavras, há açucarado leite em teu impermisto
coração menino!...

SALMO TERCEIRO (Cacau Loureiro)

Para o ninho das serpentes não há legado,
Há o fogo consumidor que esteriliza tudo,
Pois a mão que toma o que não lhe pertence
É cortada implacavelmente.
Para o fanal que do céu provém não há riqueza que
O compre, não há olhos entravados que o possa
Ver, passa fome mesmo comendo o pão.
A noite baixa austera para o que rouba a coisa alheia
Porque nada foge a perspicácia do Criador.
A misericórdia do que habita o altíssimo é infinita,
Porém sua austeridade é para todo o sempre, ai
Daquele que ostenta sua vaidade no varal das iniquidades,
Pois que não haverá lençol suficiente para conter as suas
lágrimas.
O bem viceja a olhos vistos, contudo o mal se propaga
No subterrâneo, mas o justo dos justos revolve a
Terra e mostra sob a claridade os imundos desta
Aldeia e os seus prantos não O sensibiliza e a sua
Justiça é inexorável.
Homens retos preparem suas bocas para o alimento
Da renovação, fazei reverberar um cântico de
Fé e humildade, pois só aquele que ferve na fé
E na benevolência prova do mais doce fruto.
O eterno tudo vê, tudo sabe, tudo ouve, tudo
Dirige e com seu poder faz nova vida de árvore estéril,
Faz humilhado o que se levanta contra seu semelhante,
Faz calar a voz da do perverso e do detrator, abre
Caminho com suas poderosas mãos em plantio de
Ervas daninhas; cuidai das palavras insanas homens
De falsas aparências, as máscaras lhes serão arrancadas
A ferro e fogo. Posto que a voz do Senhor ressoa por
Todo O Universo fazendo pelo seu verbo sagrado a
Profunda transformação do maldizente leviano.

15 janeiro, 2010

SOBRE AS MULHERES (Viviane Mosé)

O ser humano nasce pronto, mas incompleto. Essa incompletude se resolve na vida e nas relações sociais. Ser mulher, assim como ser homem, mais do que um fator biológico, é um fenômeno social. Não somente os papéis sociais, mas a própria subjetividade se compõe a partir de modelos que se fazem e desfazem de acordo com a época, a cultura, a idade, a necessidade.

O mal que a sociedade fez, a nós mulheres, assim como fez aos homens, foi a imposição de um único papel social, de um único modelo. Ao contrário dos gregos que, mesmo sendo bastante opressora com as mulheres, as representavam em papéis muito distintos, como a guerreira, a mãe, a esposa ciumenta, a mística, a sedutora, etc, nos foi dado um lugar restrito, confinado, sem opção, o lugar de santa, dona de casa, esposa casta, mãe. Mas e o lugar dos homens era um bom lugar?

O homem, mesmo ocupando o papel de opressor, também sofria a restrição de um papel social excessivamente rígido: homens não choram, são provedores da família, têm que ser viris, etc. E a luta das mulheres, ao contrário de ser contra os papéis sociais opressores, se tornou, em uma determinada perspectiva, contra os homens.

Ainda permanece nas lutas que travamos um ranço, uma reatividade, uma vingança, não somente contra os homens, mas contra a maternidade, os trabalhos domésticos, o cuidados com os filhos, a fragilidade, a sensibilidade, ou tudo que nos lembre aquilo que um dia fomos. E terminamos nos tornando um ser híbrido, que nasceu não de uma ação, mas de uma reação, um ser que nega a si mesmo, nega seu corpo, seus hormônios, suas lágrimas pré menstruais, e busca cada vez mais conquistar espaços sociais, honras, que nunca fizeram felizes aos homens e hoje oprime e apaga mulheres cada vez mais sozinhas e poderosas. Que percebem, tarde demais, devido ao limite de nosso relógio biológico, que não era nada daquilo que queriam.

Quem somos mulheres de hoje? Mulheres cada vez mais independentes, mas talvez excessivamente independentes, ou oprimidas pela independência. Por isso mulheres maravilhosas, incríveis, criativas, fantásticas, belas, mas sozinhas, aprisionadas por um plano, um projeto de vida construído em reação a opressão a que fomos submetidas. A hora agora nos exige um novo passo: não se trata mais de tomar um lugar, mas de criá-lo: qual o lugar de nossa diferença, qual o lugar que nos faz florescer? Precisamos construir um espaço que nos caiba e este espaço deve ser necessariamente complexo, como nosso corpo, nossa potencialidade. A mulher expande pra dentro, mas também explode pra fora em forma de broto, filho criação, invenção.
(Viviane Mosé é psicóloga, psicanalista e poeta)

SALMO SEGUNDO (Cacau Loureiro)

A espada chamejante da justiça corta e limpa
como fogo, arranca as penas da ave de rapina
e enfeita o ninho dos justos.
O Senhor vigia os caminhos por onde anda
o seu criado preferido, com seu cajado faz-lhe
arrimo, dá-lhe apoio.
Faz saltar a águia do seu peito para combater
sob seus céus e dirige seu vôo em silêncio;
afia as suas garras para não padecer perante
a sanha dos lobos esfaimados.
No coração do probo não há temor, não
habita a ameaça dos arruinadores, dos
arbitrários.
Fé e força o direcionam para o triunfo e não
há intempérie que o faça retroceder; não
se desvia, não se retrai, segue adiante no
propósito, pois que o laurel vem do alto como
dádiva, como oração que unge e revigora, como
batismo vivificante.
Não há sol escaldante que o flagele em deserto
espiritual, não há chuva copiosa que o assole em
rios de lágrimas. Porque o manto do Senhor é largo,
é afável, é doce, é azeite balsamizante nas horas aflitas.
A alma do íntegro é semente protegida e aquecida na mão
do Pai Maior para germinar fecunda para o mundo e dar
testemunho de todo seu poder e bondade.

14 janeiro, 2010

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO (Érico Veríssimo)

Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro.
É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época.
Eles esquecem o que tem de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Há na Terra um grande trabalho a se realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços.
É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as armas do amor e da persuasão.
Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz, através do espírito de cooperação.
(Érico Veríssimo, Editora Globo, Porto alegre, adaptado)

13 janeiro, 2010

ATITUDE (Bernardino N. Nascimento)

Ter atitude não significa ser bom ou ruim, ter atitude é ser autêntico, sincero, verdadeiro consigo mesmo e com o próximo; é usar a intuição no primeiro momento; é ter firmeza sobre o que diz e sobre o que vai fazer; é ser rápido no raciocínio e usar o coração nas decisões.
Muitas pessoas perdem oportunidade por falta de atitude, e muitas sofrem de depressão porque não tomaram atitude no momento certo. Ter atitude é ser positivo, é fazer o que tem que ser feito na hora certa, no agora, no momento presente. Quem tem atitude não deixa nada para amanhã. Há pessoas que pensam bem antes de tomar uma atitude; já deixou de ser atitude: quem pensa no amanhã não tem atitude e sim medo.
Existe a atitude planejada: aquela que você acorda planeja fazer alguma coisa e toma atitude para acontecer o planejado; caso não aconteça como imaginava, deve procurar tomar outra atitude para mudar a estratégia sem ferir o objetivo do planejado. Tomar atitude pode dar certo ou errado, mas uma coisa é certa: não ficou guardada, em seu subconsciente, uma decisão que você não tomou no agora.
Na verdade, toda atitude tomada é correta, desde que seja a sua atitude e de preferência tomada com o coração dentro da razão. Ter atitude é desejar alguma coisa e quando conseguir, saber que é apenas o começo de uma trajetória.
Tomar atitudes significa praticar a intuição sem medo de tomar a atitude. Ser intuitivo é estar presente no momento; é se entregar ao presente como se fosse o seu último momento, dando total atenção ao que está se passando à sua volta no agora; é colocar o planeta na palma de uma mão e com a outra irradiar amor, paz, compaixão; é estar presente, colocar a batida do coração com a pulsação do Universo, na mesma sintonia.
Quando se confia no que foi estudado, quando se confia no que foi aprendido, quando se confia em si mesmo, quando se confia em Deus, tem-se atitude. Quando se quer fazer alguma mudança interior, só se consegue com atitudes: parar de fumar depende mais de atitude do que de quaisquer outros métodos. Se desejar alguma coisa importante só vai conseguir se tomar atitude... que muitas vezes não é do seu agrado momentâneo, mas é importante para a trajetória que você escolheu.
Não devemos tomar atitude para agradar a todo o mundo... isso pode desagrada-lo mais tarde. Ninguém conseguiu tal êxito no planeta. Mas podemos tomar a atitude de compartilhar os mesmos agrados aos que estão à nossa volta.
Podemos ver que tudo em nossa vida depende de atitudes. Há gente que diz: você não fez isso ou aquilo por falta de atitude! Na verdade, não foi falta de atitude e sim a atitude de não fazer o que deveria ser feito.
Quando se acha que está sem atitude pode ser sinal de depressão: as atitudes são descontroladas e na sua maioria, provocam efeitos “para baixo”. As atitudes dos depressivos são sempre contra eles mesmos e procuram adiar tudo.
Tomei a atitude de escrever sobre a atitude e se você perceber posso passar dias, anos, escrevendo sobre a atitude, pois estarei tomado pela atitude de escrever sobre ela e como tudo depende de atitude, assunto não vai faltar. Quando eu não tiver mais a atitude de escrever sobre a atitude vou ter que tomar a atitude de parar.
Percebeu o quanto à atitude faz parte das nossas vidas? Mas, há as fortes atitudes: essas que você tem que tomar para mudar alguma coisa em si mesmo. Esta atitude de mudança de comportamento do nosso interior tem que ser agora e o seu coração têm que dar uma ordem para seu cérebro dizendo: “Estou mudando meu modo de ser para me sentir melhor, para ser uma pessoa melhor para mim mesmo, para minha família, para meus amigos, para o mundo”. É esta a atitude que você precisa tomar e deve ser agora. É esta atitude que todos esperam de você.
“Ah! Não preciso mudar!” Engano seu! Todos os dias podemos ser uma pessoa melhor e para isso temos que ter atitude.Uma atitude pode mudar sua vida para sempre, para melhor ou para pior depende de sua atitude. Se sua atitude for tomada pelo pensamento, tem que toma cuidado com os resultados, se for tomada pelo coração a possibilidade de ser a certa aumenta em muito.
“Não tem mais jeito; estou muito velho(a) para mudar!” Nada disso! Você não tem idade; o tempo é contado e inventado pelo homem. Para Deus você tem vidas e vidas... não existe o tempo... nunca é tarde para nada, assim como nunca é cedo para tomar qualquer atitude. Mas tudo tem sua hora certa! Não... para a atitude o amanhã não existe! E tudo tem que acontecer no agora. Não deixe de tomar qualquer atitude pelo sentimento de pena, quem traz o sentimento de pena é porque não tem a atitude verdadeira dentro de si e pena é um sentimento que não existe, quando se toma a atitude de fazer alguma coisa por alguém.
Então, não tenha medo de nada. Tome uma atitude agora. Se quer viajar, viaje... se quer amar, ame... se quer alguém, vá à luta... se quer estudar, estude... se não gosta mais do seu parceiro(a), fale agora, tome a atitude de falar sempre a verdade. Seja verdadeiro, tenha atitude verdadeira como deve ser o seu coração: verdadeiro.
Se gostar de alguém conte para ele(a); muitas as vezes, por falta de atitude, nem um lado nem o outro se pronuncia e aí pode deixar de acontecer um lindo romance. Tome a atitude de ser feliz vivendo somente no momento presente. Deixe o passado; ele não volta mais. O futuro é agora e o que você está plantando no agora. O futuro é sua atitude neste momento.
Pense, ou melhor, não pense: tome uma atitude agora para chegar perto da felicidade.

E-mail: bernardino.nascimento@promon.com.br

http://somostodosum.ig.com.br/p.asp?i=358

11 janeiro, 2010

PLENITUDE (Cacau Loureiro)

Descerrei a janela dos meus sonhos, o sol cintilou
em meus olhos, iluminou-me a alma deveras triste...
E rasguei o peito à luta que sangra, mas que também liberta!
Arrebentei correntes pretéritas, enxerguei as pétalas das
esquecidas rosas em meu jardim outrora cheio de cor;
atestei atônita o quanto eram belas com suas cores vivas,
reais, sem mentiras...
Surpreendi-me com seus espinhos... alegrei-me.
Percebi que uma alma que na dor sorri está completa...
Eu olhei a rua em sua vastidão, vi quantos caminhos se
pode seguir, mas eu estou aqui, onde plantei meus pés,
depositei meu coração e descobri que ele voa sem sair
do lugar. Que podemos ser o que somos sem ter ninguém
pra seguir.
Eu entrevi que “as coisas tão mais lindas” podem estar
achadas dentro de mim.
Hoje rodopio sob um céu quarenta graus com a leveza
das brisas que refrigeram âmagos ardentes.
Em meu rosto, em meu semblante a minha natureza
desperta para a vida que há de vir, traduz-se esperança.
É alto verão em meu cunho castigado, mas a este astro
eu me entrego para me consolar... para me revelar, para
me lançar ao mundo sem ansiedades.
Ondas traiçoeiras jogaram-me ao mar das angústias, porém
meu espírito segue em direção ao fanal dos bons haveres.
Por isso nestas águas eu navego, eu arrosto, eu enfrento,
eu domino sem temores; revigoro-me, fortaleço-me, renovo-me.
Jamais morro!...
Não há mais dores, remorsos, desordens, tempestades;
a luz permanente do pôr do sol reaquece o horizonte que
vislumbro, pois que o futuro que queima meu peito também
se apresenta brando, suave...
A voz em meus ouvidos diz: Paz, sossega!...
Eu sei que ”as coisas tão mais lindas” hoje só as encontro em mim!...