SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

04 agosto, 2026

ENTRE LOUROS E ADAGAS (Cacau Loureiro)

A noite caminha em meu peito, entre silêncios,
a passos largos rumo à falta que me fazes.
As palavras emudeceram ante a distância;
agora resta apenas um caminho sem volta.

A covardia destrói as pontes, e não há
amor que resista à morte da confiança.
Assim prossigo, olhando para a frente,
deixando pedaços do passado para trás,
como carne lançada aos falcões.

Então volto os olhos ao espelho do tempo,
passo as mãos pelos ramos verdes
que ainda emergem
da terra seca das lutas vãs,
onde, aos poucos, teus traços
se apagam de minha memória;
o alívio pousa sobre
minha máscara de ferro.

Restam apenas cabeças cortadas.
É chegada a hora das decisões.

Meus braços descem ao longo
do corpo que sempre esteve em alerta,
quando os pensamentos corriam de um lado
ao outro, perdidos em porquês que
jamais encontraram sua linha de chegada,
pois toda travessia terminava sempre
diante do fosso vazio das fortalezas.

Então parto dessas arenas de lutas inglórias:
leões,
areia,
sangue invisível
ante os padecimentos
daqueles que almejaram ser heróis.

Olho ao derredor desse picadeiro dos bobos,
onde tudo sucumbiu sob o fio da adaga
para que eu ostentasse os louros da vitória
na fronte...
e todo esse vazio
nas mãos.

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