SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

10 novembro, 2025

VENTOS DE NOVEMBRO (Cacau Loureiro)

Os ventos de novembro adentraram a
minha casa, suspenderam as cortinas,
desarrumaram os lençóis!...
O clarão do teu riso trouxe bonança,
fez crescer o gérmen fecundo que brota
de tuas mãos pequeninas, de gestos
grandiosos — abraço quente, acolhedor.

No teu largo coração, as sementes
férteis do teu jardim, que floreia o meu
destino, seguem vigorosas como fonte
de águas vivas, fortalecendo os caminhos
dos homens ignaros que ainda precisam
aprender sobre partilha.

Deixa brotar em meus olhos a beleza
esférica do teu sorriso bonito, criança
nascida em berço dourado do bem,
chamando-me para brincar na roda
viva dos sonhos reais.

É primavera, e os girassóis ainda têm a
cor dos teus cabelos... e os teus olhos, a
pedra furta-cor da esperança, apreendendo
os alísios, espraiando o sol em minhas
alvoradas surpreendidas de ti!...

A vida agora é vermelha como os teus
lábios, macia como os veios pequeninos
que cabem em meus quereres...
Ceia farta em meu dossel, movendo
constelações em meu singular universo,
lá onde Antares desenha no céu de
Escorpião todas as forças da natureza,
e acende no cosmos a nova era, como
explosão de mil astros, em ventre forte,
abrigo de amores inarráveis, gerando
aguilhões do ser!

Ser, que já não cabe mais em mim,
e se expande para além do divino infinito
do teu corpo nu... e rebrilha como estrela
matutina de prazeres!...

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