SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

19 novembro, 2025

AMORES IMPERFEITOS (Cacau Loureiro)

Vai alto o sol da primavera,

erguendo-se como arcano flamejante

que vigia destinos.

Arde como as distâncias entre mundos

e como os amores inacabados

que sussurram através dos véus

da vida que não cessa.

A brisa ancestral enverga as flores

nos jardins dos homens justos,

trazendo antigos presságios.

O amor puro fulgura como ouro filosofal,

pois amar é morrer para o velho

e renascer do próprio fogo para o renovo,

traçando no éter os mapas ocultos

do autoconhecimento, sabedoria eterna.

Refaço minhas asas...

aprendi com as andorinhas

o rito do retorno, e com a fênix,

o renascer nas montanhas

onde o sonho é matéria viva.

Ancoro-me ao presente,

nenhum fantasma do passado

me reclama agora,

pois minha jornada

é de cura, metamorfose

e transmutação.

Aspiro os ares da verdade…

vento oracular que não fere,

mas inicia e purifica.

E compreendo que a grande obra da vida

não é a perfeição,

mas a arte sutil

de moldar os amores imperfeitos,

fazendo das feridas portais,

das cicatrizes aprendizado,

e dos sentimentos humanos espirais,

eflúvios do bem ascendendo à eternidade.

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