SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 novembro, 2025

AMORES IMPERFEITOS (Cacau Loureiro)

Vai alto o sol da primavera,

erguendo-se como arcano flamejante

que vigia destinos.

Arde como as distâncias entre mundos

e como os amores inacabados

que sussurram através dos véus

da vida que não cessa.

A brisa ancestral enverga as flores

nos jardins dos homens justos,

trazendo antigos presságios.

O amor puro fulgura como ouro filosofal,

pois amar é morrer para o velho

e renascer do próprio fogo para o renovo,

traçando no éter os mapas ocultos

do autoconhecimento, sabedoria eterna.

Refaço minhas asas...

aprendi com as andorinhas

o rito do retorno, e com a fênix,

o renascer nas montanhas

onde o sonho é matéria viva.

Ancoro-me ao presente,

nenhum fantasma do passado

me reclama agora,

pois minha jornada

é de cura, metamorfose

e transmutação.

Aspiro os ares da verdade…

vento oracular que não fere,

mas inicia e purifica.

E compreendo que a grande obra da vida

não é a perfeição,

mas a arte sutil

de moldar os amores imperfeitos,

fazendo das feridas portais,

das cicatrizes aprendizado,

e dos sentimentos humanos espirais,

eflúvios do bem ascendendo à eternidade.

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