SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

16 novembro, 2022

VOZES D'ÁFRICA (Cacau Loureiro)

 

As galés da alma humana aprisionaram Deus...

Ah! Os velhos pretos de sabedoria amarrados nos

porões que cortaram os mares de todo mundo

nascidos das mulheres fortes e valentes da terra

mãe da negritude.

Na poeira do tempo viemos nas caravanas...

Acorrentados em corpo e espírito pois que

o divino não poderia nos dar as mãos.

Ah! Limpamos com sangue nossas dores

para que nossos olhos estivessem sempre

abertos para a fé que move montanhas e que

até então não nos arrebentavam os grilhões.

Mas, o tempo é Senhor e Mestre forjados

nas parábolas do Cristo Salvador dando de

beber a água da vida à samaritana porque nos

desertos dos homens endurecidos Deus se fez

espírito e verdade em toda parte do globo para

que houvesse vida em abundância.

Então que todos nós fomos convidados ao banquete,

os mesmo que estavam pelos caminhos e valados

e buscamos conhecer a face de Deus.

As vozes d’África são femininas, as vozes silenciadas

nos subterrâneos da história patriarcal onde

tantas dores foram expostas, onde tantas

lágrimas foram derramadas, onde tantos ventres

foram roubados, onde tantas histórias foram

escondidas.

“...Basta, Senhor! De teu potente braço

Role através dos astros e do espaço

Perdão p'ra os crimes meus!

Há dois mil anos eu soluço um grito...

escuta o brado meu lá no infinito,

Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...”

(Entre aspas versos do Poema Vozes D’África de Castro Alves)


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