SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 novembro, 2022

FONTE VIVA (Cacau Loureiro)

 


Eu passei pelo deserto, não porque tenham me levado

pela mão, mas, sim porque o meu coração andou às

cegas pelas terras áridas do meu próprio desamor...

Quando me perdi, eu não lembro bem, o que sei é que

me resgatei a tempo de enxergar outros caminhos,

de beber em outras fontes, pois que para o íntegro não

faltará a água límpida da transformação!...

Aprendo todos os dias que todos temos os próprios

processos de crescimento e nem sempre será no

lapso que esperamos, e, por vezes, as estradas seguirão

direções opostas... e o divino nos colocará em sua mão

e nos direcionará para a colheita que merecemos.

Não há mais lágrimas, posto que as deixei faz tempo

rolarem no passado onde tentei ganhar tempo em

correrias sem sentido, em buscas imerecidas, sabendo

hoje que o que vale a pena é o meu tempo presente,

é a minha vida presente.

Separei os fardos, deixei de lado bagagens que

recolhi em estações erradas... contudo, conheci

lugares em que apesar da demora, trouxeram-me

paisagens nebulosas, vivências rascantes.

Eu busco o experimento do vinho novo... no frescor

de horas bem vividas, no delibar agridoce de cocriar

a cada dia a minha libertação de conceitos antiquados,

paralisantes... das escolhas que fiz para me doar sem

nada receber. Portanto, vou ao encontro do que mereço,

do que de fato semeei, posto que o Pai não nos abandona

à beira do poço sem nos oferecer a água da vida.

Sigo o meu caminho em espírito e em verdade,

pois que agora, meus olhos desvendados estão!...


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