SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 outubro, 2010

ABISMAL (Cacau Loureiro)

Eu calo-me, mas não há silêncio em uma alma
conturbada, ela move-se, conduz-me ao amargor,
ao fervor, ao furor... agita me.
Detenho-me em minhas mãos aflitas; há silêncios
que me inquietam o espírito, suscitam minhas
recordações, dinamizam meus princípios há muito
coibidos.
Meu coração silencia, contudo, permanece o mesmo
romântico confesso; as palavras na ponta dos dedos,
meus anseios na ponta dos lábios e o fel na ponta da língua.
Assim repouso em tuas mãos meus ósculos já
cansados, mas, contagiados de desejo; assim, sinto-te
assim, tenho-te no próprio refrear do meu apego.
Esta distância, ponte quebrada afetiva, obriga me a alçar
voos maiores, pois que minha alma alada leva-me
ligeiramente a ti.
Neste lapso que nos separa, neste recôndito que tu te
escondes, já muito sorri, chorei também... não tenho
recato em dizer... pois vim à vida para viver!
Por isso desgarrado amigo, a canção que a minha
alma canta, ainda fala de amor e de esperança,
porque foi assim que até hoje vivi.
Há silêncios que estancam pensamentos e
desencadeiam mágoas, que reprimem qualquer
coração entusiasta.
Há silêncios que parecem o fechar de portas,
que são convites ao esquecimento.
Não há silêncio entre minha tristeza, o papel
e a caneta, há sim, o protesto insolente nas
minhas letras, nas minhas palavras.
Este é o meu grito... o que fazer?!
Não sou perfeita!
Os meus ais são como uma espada afiada que
transpassa o teu coração frio, calculista e
descrente, só assim te sangro sutilmente...
Entre a doçura do que sinto e a amargura do
que escrevo, existe um paradoxo abismal:
dois lábios que não se encontram, duas mentes
que não se entendem, duas cabeças que não
se compreendem, dois corações que não se reconhecem,
entretanto, duas almas que não se separam.

Um comentário:

  1. Lindo, profundo, exasperado, triste, e de um lirismo contundente, como tudo que vc escreve.
    É desesperador não poder ficar e nem poder partir não é mesmo?
    Ah, o amor...
    bjos.

    ResponderExcluir

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]

Gratidão pela leitura sensível.