SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

28 janeiro, 2026

SILÊNCIO É VOZ (Cacau Loureiro)

 

Eu aspiro o ar dos justos, não me foi fácil

chegar a esse caminhar profundo.

Isso não me protege de escolher outras

bifurcações; o caminho é sempre um rio

longo que adentra nossa escuridão.

 

No caos pouco encontrei sinais de paz,

mas a coragem de descobrir-me sempre

me deu as mãos nas travessias dos desertos,

música que eu canto entre muros íngremes.

 

Minha armadura radiante, meu sorriso luzente

me elevam ante espadas de seres emergentes.

Nos chicotes que me lambem a alma,

as feridas cicatrizam; por isso

renasço, sobrevivo, insisto, permaneço.

 

Meus pés no chão, minhas mãos na terra

me lembram que humildade não é rendição

e que o meu silêncio não é dureza,

quiçá desvio — é retidão.

 

Há um guia que me limpa os olhos,                                                       

mesmo nos lamentos, para que eu enxergue

mais longe, para que eu seja forte.

Isso não me coloca acima de ninguém,

apenas me equilibra em mim mesma,

para tecer, no bastidor da vida,

uma existência inteira em dignidade.

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