SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

18 janeiro, 2026

SEM VENDAS (Cacau Loureiro)


Sei bem...
Estradas longas se fazem no fim e o
pó do caminho muitas vezes levanta os
muros, como um ensaio de cegueira,
como cortinas de fumaça, véus obtusos
dos desenganos...
No labirinto confuso dos amores mal
traçados, as montanhas se erigem
para além do infinito onde lanço um
olhar de desesperança; como paredes
móveis e areias movediças, engolindo
sonhos, estreitando dores e desfazendo
os laços, farrapos das afeições rasas. 
Mas me habita uma canção, tocada na
gaita dos desígnios universais, porque
toda música composta na alma sensitiva,
sabe ao certo seu endereço... 
O meu ritmo segue no vento fresco das
tardes bonitas em que me olho, me enxergo
e me aceito, como o sol luminoso que vai
deitar-se no poente imperioso de seu dever
cumprido porque ainda há luz em todos os
para sempre dos homens.
E eu sigo essa jornada das belas melodias
que fulguram em meu sorriso novo, sem
vendas nos olhos depois dos vários ensaios
ante as minhas cegueiras da alma. 
Sei bem...

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