SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

11 janeiro, 2026

CIRANDAS IMPERFEITAS (Cacau Loureiro)


Havia um sorriso bonito a me chamar
para a tua ciranda de flores…

A cadência da música envolveu-me os sentidos,
enredou o espírito em canções
que acenderam a minha verve poética.

Então acolhi, em rimas raras,
o sonho
de pegar em tuas mãos
e compor a tua roda...
ritmos que me alçaram os braços,
que me levaram ao horizonte aberto,
esperança calma
a fincar-me os pés no chão
e a fazer-me crer
que o mundo ainda valeria a pena.

As fitas coloridas adentraram o meu peito,
enviesaram-me a alma
e me transfiguraram arco-íris,
celeste arco
levado ao outro lado
dos caminhos imperfeitos;
versos puxados à beira-mar,
jangadas enfeitadas,
floridas em amanheceres de sol,
em calor de gemas encantadas.

Mas no chão batido da vida,
na gira de quem dança sem compasso,
o círculo dos amores perdeu o andamento...
passo largo do destino
na voz de um supremo cantador.

Na ciranda desarrumada,
a pulsação alegre se desfez;
as cores, esmaecidas
pela poeira de um tempo absorto,
arrastadas no vai-e-vem
de ondas tempestivas,
não sustentaram o passo a passo.

Ainda assim, eu sei:
sorrirei.
E dançarei outras cirandas,
marcadas por pandeiros vivos,
ritmados,
vestido rodando
na evolução da zabumba grave
a marcar a batida do meu coração,
a dizer-me, em viva ancestralidade,
que a vida...
a vida ainda pulsa
na memória coletiva.

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