LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

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REFLEXÃO

“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





16 de setembro de 2015

ARCANOS (Cacau Loureiro)













Nos trilhos sem fim das grandes
cidades eu idealizo outros lugares,
outros sentimentos... sentidos.
Sombras e túneis, luzes corrediças
como as areias de nosso tempo...
Veloz... espectros do progresso.
As estradas como esfinges nos engolem
apressadas no duelo solitário de nossos
sonhos gigantes.
E, no entanto, nunca chego,
mas também, nunca parto.
O infinito cabe em meu peito
deslumbrante, incógnito, temeroso.
Na corda bamba de dias inúteis sou eu o
equilibrista e o bêbado a abrir um guarda
chuva sob as estrelas.
Estigma dos dias atuais a violência
sobrepuja o encantamento, mas poesia
ainda salva, dita ainda o ritmo das
palavras no dom maior de traduzir
o espírito humano.
E eu me abro ao tempo que escoa
como pó na ampulheta das esquinas,
nas horas fatigadas do trabalho.
Entre meus dedos habita o invisível,
o indizível de minha alma ali traçado
em minhas mãos... e eu profeta do
meu destino não sei decifrar os
seus sinais.

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