LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

Seguidores

REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




6 de agosto de 2015

PODRE DIAMANTE (Cacau Loureiro)


Oro aos céus pelo não desencanto...
Deve haver um tesouro no final do arco-íris...
Esperança que não se desfaz.
Transeuntes, passantes... De onde vieram
alguns de nós bípedes?!
Desconheço quem é meu irmão nesta longa
empreitada.
Vejo invernos no olhar de homens crus onde a
cruz do sacrifício nunca valera nada.
Despontam nuvens como silos de provisões
barganhadas, num ir e vir sem sentido, ao vento,
ao léu, pobres seres humanos!
Ah! Animais indomáveis! Onde é farta a coleta
do que pertence a outrem. Pois o cultivo do
mal não pertence a ninguém?
Há sons e burburinhos vindos de todos os lados,
discursos vazios, silêncios da não transformação
que nos primitiva o espírito.
Digerimos o que um dia já fora intragável, onde
o fumo e a lama são meros instrumentos, pois
a grande avalanche está dentro de nós.
Oro aos céus pelo não desencanto...
Constato os guindastes que revolvem a terra e
erigem edifícios construindo o solo que não
pertence a ninguém.
A coragem enterrada sob a chuva de balas não
alegra as crianças, não eleva os homens, legado
de sangue não nos faz florescer para a dignidade;
religiões que não entoam um hino, não recriam canções,
não nos promete a terra nova que estaria por vir e
que já pertenceu a humana raça.
Os fatos, as fotos, imagens e mãos não nos inspiram
mais a esperança.
A violência e a fome, um corpo no trilho como
bagagem abandonada, a pedra esfumaçada dos
zumbis das cidades que vislumbram monumentos
nem de bronze, nem de ouro e nem de prata e
na lata o podre diamante da modernidade onde a
morte salta aos olhos e a vida adormece...

 


Nenhum comentário: