LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




28 de julho de 2010

INSANA ORDEM (Cacau Loureiro)

À beira de trilhos sem fim, anjos caídos
seguem para lugar algum...
Por que olhamos e não os vemos?!
Apressados passamos ante a desesperança
que também nos habita.
Homens teus, oh Pai que seguem sem rumo,
abandonados pela pseudo ordem urbana social.
Jovens, quase crianças vivendo uma guerra onde
não sabem o que combatem, não reconhecem
sequer os seus iguais.
A fumaça a enegrecer seus olhos e suas sortes,
não há luz no fim da estrada... quiçá pensaremos
em futuro.
O pequeno fogo que consome tudo, tragando
toda felicidade e também o direito de florescerem.
Onde estarão os homens sãos que ora cegos não
divisam as estações perdidas, os becos onde se
enterram as almas vivas?!
Hoje os semimortos gritam mais que os insanos,
vejo zumbis como mecenas da humana miséria.
Homens tantos ao léu, não há céu para os viciados
da tristeza que sobressaltados permanecem nos
lúgubres recantos da cidade alerta.
Haverá céu para os investidores das desgraças,
para os investidos de poder, para os necessitados
de justiça?
Ah! Meninos, jamais saberão maturidade...
Ah! Meninas, jamais entenderão maternidade...
Existências suspensas como cavaletes eleitorais
representam a moderna crucificação dos mártires
pois, parede negra é a política brasileira, a carta
magna dos boçais.
Lealdade, segurança... Tateamos, nada achamos,
quando levantaremos os mortos que ocultamos?!
Sigamos como à dois mil anos, cegos, surdos,
absortos o calvário da omissão que nos assola.
Vielas, viadutos, barracos, esta é a tela morta
que pintamos.
Na animalidade em que vivemos, onde houver
túnel fechado, haverá mães chorando, corrupção
ativa e vidas expostas, suprimidas. Mas, ainda
velozes passamos, e lá bem ao fundo da poluição
visual que nos tornamos, eu leio:
“Amor, palavra que liberta!...”

4 comentários:

Andre Brasil disse...

Grande Cláudia! Sua visão de mundo é igual a de muitas outras pessoas,porém a facilidade com que você consegue traduzir essa visão é muito legal.Insana ordem é o retrato de nossos políticos que refletem em nossa também insana sociedade, que passiva assite a tudo.Grande abraço. Seu admirador. André BRasil.PS. Gostei muito da frase de Bossuet que você citou acima.Bossuet foi um dos teóricos do Absolutismo e um dos criadoares da TEORIA DO DIREITO DIVINO

AC disse...

Há quem ignore a amálgama de miséria que nos rodeia, refugiando-se em torres de marfim. Mas também há quem lance o grito, sabendo que o nosso caminhar só será viável se for colectivo. E ainda bem que há pessoas assim.
Gostei muito do seu grito, Cacau!

Beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

É lamentável minha amiga, mas, infelizmente esta é a nossa pura realidade. Felizes seremos a partir do dia em que o homem entender que somos todos irmãos, e adotarem a paz, o amor, a ordem, a compreensão e, principalmente, a solidariedade para com o seu próximo.

Parabéns pelo alerta. Muito verdadeiro.

Beijos e ótima quarta-feira pra ti e para os teus.

Furtado.

Dédalus disse...

Gracias por la bella flor que has dejado en mi "janela", Claudia.

Beijinhos.