LÍRICOS OLHARES

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"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

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“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





29 de julho de 2010

ALBATROZ (Cacau Loureiro)


Tentei achar palavras, construí-las em
meu mundo destrutivo, desvalido.
As implosões que me consomem a
alma, tornam-me explosiva, impulsiva,
temperamental...
Neste mundo onde o edificar seria o
natural.
Mas, a intolerância queda os seres,

inverte seus valores, prega a violência,
abjura a decência, origina horrores.
Observo o mundo em sua correria,
aí está a origem de toda a minha
rebeldia.
Movo em meus versos a terra, o céu
que habita os seres, o mundo que
mora em nós, o meu próprio coração.
Queria... em palavras construtivas,
compor uma canção, falar de alegrias,
acalmar os prantos do submundo,
adoçar tantas bocas já amargadas,
libertar tantos sentimentos tolhidos...
Abraço o tempo, rolo pelo espaço,
quero ter noção de quantos eu abraço.
Globos longínquos nesta imensidão
do universo latejam em meu pulso,
esclarecem o meu espírito tão obscuro.
Busco a aurora dos novos tempos, que
trará a luz da libertação interior, da
doação sem limites, do amor. Não
tenho medo nem receios em me expor.
Toco os meus centros vitais, busco o
equilíbrio que jamais tive... jamais.
Deixei um dia que roubassem a minha
paz, mas, na minha mente, ainda a meta,
firme e forte, não me deixa, não se desfaz.
Podem pensar que fui vencida, sub-rogada,
subjugada... mas, ainda está liberto o meu
espírito, que vibra, está vivo, latente, vital...
que o sinto tão rijo, tão forte que transpasso
os limites siderais.
Não mais cairei em negros abismos, pois
que hoje a minha alma se ergue e prossegue,
sublime, celestial...
Nos caminhos da vida, nos rumos dos mares,
não mais verei Leviatã, porque a força que me
move agora, é corajosa,é sã.
Deixarei o passado nas cinzas, onde a brisa o
levará ao sol, onde o orvalho o beberá com a lua.
Não sinto mais amargor em minha língua, tampouco,
azedume em meu peito, sou e estou refeita,

pronta para a luta.
Não edificarei mais sonhos vãos...
Que venham as flechas, que me sangrem os
braços, que me calem a voz, que me ofertem
a dor... pois, sou aço, sou fogo, sou laço forte,
vou rumo ao sul buscando o amor.

3 comentários:

AC disse...

A convicção do seu canto é tocante!

Beijo

Brown Eyes disse...

Ainda não tinha tido oportunidade de te vir visitar, hoje chegou. O nosso mal é a correria em que vivemos que acaba por não nos deixar viver, por não nos deixar gozar o que de bom temos. Beijinhos

ValériaC disse...

Querida, li o anterior também...e este, mas vou comentar aqui...
Você mostra a crueza da vida e da realidade, mas ao mesmo tempo, garra, força, discernimento...coragem... Profundos...e marcantes os seus versos...
Beijinhos...
Valéria