SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

02 janeiro, 2012

ABJUGADA (Cacau Loureiro)


Anos a fio peregrinei sozinha e minha voz solitária
fez-se pranto nas trincheiras do egoísmo.
Perguntei aos céus por que eu? Aos anjos indaguei
o que querem de mim?
Em muitos lugares respostas ocultas...
Onde se recolheram minhas preces, perderam-se
minhas orações?!
O mar dos homens é sinistro, correntezas vem e vão.
A dor calcina, assim como o fogo cristaliza as feridas,
mas, nada, nada é eterno neste mundo vão.
Recolho minhas forças no caos, mas os anos perdidos
no discurso do esquecimento impulsionam-me adiante.
Homens surdos, loucos, covardemente mudos...
Onde permanece a morte infame também resplandece a vida,
porque na natureza não há permuta, há sim a transformação
contínua e permanente, progresso, evolução.
Onde está a glória das alianças quando dedos apontam
direções opostas?! Conceitos hipócritas provocando
dissensões ilógicas.
O meu coração continua no mesmo lugar, fincado onde
meus antepassados o enraizaram... na dignidade de
reconhecer meus erros, de levantar-me ante a derrota
e de jamais acatar traidores e tiranos.
Na crueldade e intolerância dos seres descobri-me
humanamente liberta!...

21 dezembro, 2011

MATURAR (Cacau Loureiro)

Pessoas especiais nunca partem de nossas vidas,
elas permanecem naqueles lugares feitos para
guardarmos o inesquecível...
Em nós moram muitas dores, momentos há
que elas se ajuntam e congregam para o
crescimento moral, espiritual.
As alegrias que vivemos, são como as flores que
se renovam a cada estação, e elas trabalham
incessantemente, assim como os lírios do campo,
na simplicidade e no silêncio da própria natureza
que os faz mais bonitos.
Saibamos que a hora certa para mudar é aquela
que bate no relógio do tempo, e nos diz que é
tempo de transformação.
É certo também que jamais mudamos os
companheiros de caminhada, pois, nossa jornada
maior é mudarmos a nós mesmos.
Há tesouros guardados em torno de nós esperando
a certa hora para os descobrirmos... Mas, antes,
é preciso amadurecer...



FELIZ NATAL!

29 novembro, 2011

FLAGELO (Cacau Loureiro)


A raça humana tem esperado há séculos

o seu salvador, alguém de carne e osso
que fosse sacrificado por ela.
De fato, acredito no Cristo como personalidade
histórica, um ser singularíssimo, dotado
da mais alta luz dentre os mortais.
Se o que vivemos hoje são as trombetas
dos apóstolos do apocalipse ou dos
cavaleiros andantes das utopias
crucificadas pela cruel realidade, sim,
continuemos, pois, a esperar o enviado.
O Homem nunca se despiu da barbárie
e os governadores da espada e da
balança continuam a lavar suas mãos
em decisões judiciais covardes fazendo
de nós, o povo, os bobos da corte.
Até quando esperaremos pelo cordeiro,
já que os messias da modernidade
derramam seus sangues na tela das Tv’s
e nas páginas dos jornais todos os dias?
Os filhos desta pátria pseudodemocrática
são servis, são gentis quando sorriem
felizes e depositam sua fé nas urnas da
impunidade antropofágica.
A realidade de nosso país é surreal e
trágica!...
Não é preciso que se ressuscite o homem,
seja ele santo, enviado, consagrado...
Posto que este está morto, exposto aos
abutres da falsídia e do peculato.
É preciso trazer à vida a dignidade porque
para a injustiça neste país não há grades.
Ela é a peste que se alastra dia e noite, o
inseto infame que nos pica e que nos mata.

27 novembro, 2011

PASSAVANTE (Cacau Loureiro)


Diante do tempo, das colinas da vida,
sou peregrino da dor...
Diante da luz eterna que mãos me amparam?!
Nos pilares que erigiram meu caráter,
somente um deu-me sustentação e alento.
Neste mundo de muitos deuses, só a um
  eu clamo em lamento, porque somente
 
Ele tira o véu de minha alma, e não mascaro
 
o meu desgosto, posto que diante D’ele
 
criança coloco-me, novata sou no espaço
 
do eterno infinito.

  Deixo-me ao vento dos dissabores, contudo,
 
a mão do mestre é-me elmo e defesa.

Como diz o profeta, somente com os meus
  olhos verei a recompensa dos ímpios.
 
O tempo cura as feridas, e todos e tudo passaremos,

  assim como indefesos passarinhos.
 
O arauto da vida transforma o mundo, pois
 
que somente Ele, é justiça e amor.

28 setembro, 2011

ANDAR CONTIGO (Cacau Loureiro)


Eu sei que as tuas mãos curam...
Porque sei que entre os teus dedos
brota amor.
Ouvi dizer, outrora, dos corações mansos...
É privilégio existir contigo.
E de mim para ti vai a paz, a paz que neste
meu tempo de guerra é cura de alma,
libertação de espírito. A mesma paz que
aprendi contigo.
Tenho caminhado na escuridão através
dos teus olhos, desta tua luz que fulgura
em irmandade, em desvelos e não tenho
te facilitado os passos, pois que o teu perdão
é paciência e também doçura.
Sei, não há santos nesta terra de misérias,
mas, há os que limpam as feridas e nos
mostram horizontes de esperanças.
Tua trilha de fé e flores é tão bonita!...
Nesta jornada de aprendizado, feliz estou
por andar contigo!...

14 setembro, 2011

IGUARIA (Cacau Loureiro)


O teu nome é ternura... Como não
provar o que de ti me embriaga?!
Ah! Em tua mansa fala todas as
cores vibrantes da sorte, todas as
luzes envolventes do afeto!...
Em teu amplexo criança, menina fico
e brinco nas tranças do destino feito
donzela.
Em teu nobre dossel tornas-me branda,
algodão de nuvens, porque só tu és
doce mel, ensejo dos meus dias,
nova lua...
Em teu beijo, pele e pelos eu deito
meus desejos, posto que em ti há
sossego onde não se deixam há
muito meus sentidos mortais.
Em teus olhos vivifico-me, pois que
irrompes em mim um animar de
mundos metafísicos, onde os lobos
adormecem e as panteras despertam.
E, no entanto, afabilidade e doçura
agitam-me músculos e sentimentos e
faz-me descobrir novamente encantada.

06 setembro, 2011

RARIDADE (Cacau Loureiro)


A tua felicidade não me pertence, e no
entanto, também ela mora em mim...
Como dimensionar tuas benesses?!
Quero sim estar à altura do que me tens
dado em amor, em afeição.
A linha curvilínea dos sentimentos nos
molda para receber um ao outro, e muitas
vezes insistimos em nos endurecer em
tantas retas!...
A lei maior é o amor, amar é a maior das
leis, e ainda nos deixamos prender aos
ecos do mundo quando o que ressoa em
nós é tão excelso, primoroso.
Em teu dinamismo de carinho eu encontro
respostas, quero fazer o bem que a mim
tu fazes.
Quero colher os frutos, as flores de manancial
tão singular, quão raro!...
Tocar teu seio com a delicadeza com que
me tocas as feridas d’alma.
Sem lágrimas quero manter limpo o meu
sorriso para em teus olhos eu verdadeiramente
entornar em ti o que de ti mesmo preciso.

05 setembro, 2011

RESILIÊNCIA (Cacau Loureiro)


Dentro de mim mora um lamento que guardado
está sob sete chaves..
Quanto pranto verti na demente espera!...
As lágrimas do desafeto e do desprezo
molharam-me a alma, fizeram-me crescer.
Mas, descobri na dor que também mora em
mim um anjo que abriu suas asas ao sol da
solidariedade.
Não há perecer eterno quando a vontade
que sobrevive em nós é de viver para amar...
As nuvens muitas vezes passam manchando
o céu de cinza, mas, a essência dos aprendizes
viajores sabem que o firmamento é azul.
Os dissabores também chegam sem avisar,
embora, sejamos seus maiores cultivadores.
Minhas alquebradas asas insistem em voar para
um horizonte de paz... em meio à guerra reconstruo
meus sonhos adolescentes massacrados pelos
insensíveis resilientes. Porém, meu sangue quente
não é vingador!...
Desejoso de amor meu espírito segue liberto ante
os grilhões e as grades dos desnaturados.
Na estrada aprendi que infinito é o universo divino
e tão diminuto é o universo dos homens... não sabem
eles que a força sempre esteve na delicadeza.