SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

23 novembro, 2009

PESSOAS FRIAS (Paulo Sternick)


Conviver com pessoas que não demonstram afeto e carinho pode se converter em experiência frustrante para quem espera as naturais e espontâneas expressões da calorosa intimidade do casal. Frios ou inibidos, secos ou distantes, narcisistas ou introvertidos - enfim, são vários os tipos psicológicos e múltiplas as razões que se escondem por trás de suas atitudes. Com freqüência, ele ou ela podem ser atraentes, inteligentes e carismáticos; às vezes, chegam a ser fascinantes e até dotados de misteriosa magia diante dos ingênuos e atônitos olhares de seus parceiros. Quanto mais qualidades têm, maior parece o tamanho e o efeito de sua frieza e distanciamento emocional, mais comuns a decepção e o sentimento de solidão que provocam no outro.
É verdade que a aridez afetiva por vezes é compensada por outras qualidades. Algumas pessoas mais secas, por exemplo, conseguem se soltar na hora do sexo e até satisfazem o par. Logo depois retornam ao seu enigmático fechamento, ou às suas ocupações egoístas, deixando o outro a ver navios. Mas não é preciso muita sofisticação para sentir que nenhuma cama, por si só, garante um casal por muito tempo sem outros ingredientes. Acontece que a personalidade humana é diversa e complexa, permitindo a posse de atributos e qualidades, e carência de outras. Ele ou ela podem ser ótimos na cama, brilhantes no papo, mas, ainda assim, têm algo que não rola na afetividade, deixando um sentimento de insatisfação no ar.
É claro que não é possível encontrar alguém e afirmar "bingo!" Sempre falta alguma coisa no outro. Se não falta, é porque quem não vê a falta está sonhando e alucinando seu par. Tudo bem que no início de uma paixão possa se sentir uma espécie de completude, mas com o tempo... Porém, até para suportar a inevitável falta deve haver um limite. O fato é que a frieza dele ou dela levanta angústias no par e testa sua capacidade de entender a relação sem misturar os próprios fantasmas. Tal como não se achar atraente ou bacana o suficiente para tirar o outro de sua toca e dar um pouco de si. Ou até confundi-lo com relações passadas, quando a mãe ou o pai não lhe davam atenção ou eram pessoas distantes - não por causa de serem introvertidas ou ocupadas, mas porque, na imaginação da criança, ela não teria qualidades para despertar amor.
Vejam que o foco pode se deslocar da pessoa fria para o par que sofre por causa disso. Vitimar-se é uma das conseqüências quando alguém carente se junta com um par que parece insensível. Utilizo "parece" porque muitas vezes o sujeito não demonstra, mas o afeto surge embutido no cuidado que tem com o par, na atenção a certos detalhes, na lealdade e na correção de atitudes. Digo isso porque, de forma inversa, muitos se iludem com demonstrações entusiásticas de "afeto". É importante lembrar que, levada ao limite extremo do espectro político, a emoção é um dos instrumentos de manipulação das massas, por abater o discernimento do indivíduo e sua capacidade de pensar com clareza.
Quantas pessoas não são enganadas por demonstrações falsas de afeto e dedicação que juravam "autênticas", mas, uma vez caindo a máscara, revelaram ser uma adulação para fins suspeitos ou ilícitos? Ou até para ocultar um desamor? São só exemplos que ocorrem entre o frio e o quente, e o que cada uma destas temperaturas amorosas, embora nada disso seja regra, esconde de seu sentimento contrário.
(Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ). E-mail: psternick@rjnet.com.br)

HOMEM NU (Cacau Loureiro)



Há lamentos ecoando no infinito
de uma alma triste...
Sonhos desfeitos, desviados caminhos,
orações suprimidas, dissimulados sentimentos.
Há dores que não tem medida, há males que
não tem remédio...
Não se mede a mediocridade dos seres, apenas,
constata-se.
Palavras soltas ao vento contaminando o
verbo sagrado, o sopro divino.
Conjecturas que não tem consistência
professam a volubilidade dos seres, os
seus caracteres dúbios, as suas têmperas
fleumáticas, as suas atitudes covardes.
O desvalor da criatura está em não se arriscar a “ser”.
Não se dimensiona os outros à nossa medida, porque
podemos ser pequenos demais diante de
virtuosos sentimentos.
Como pedir a quem não tem para dar?
Como fazer crescer as profícuas sementes
em terra que jamais recebeu cultivo?
E o meu pranto segue o seu trajeto universal...
O orgulho se disfarça em calma aparente, em
interesseira bondade.
Como esperar ética de quem contaminou a
essência da vida como se esta fosse política?
Como esperar indulgência de quem deu com
uma mão e tirou com a outra?
A arte da poesia foi massacrada pela
frieza mascarada de equilíbrio.
Um ser vivo pulsa e é divinamente colorido.
Os interesses escusos não proliferam em espíritos
mansos, modestos... E mãos vazias é sinônimo de
coração oco...
Na minha pouca fé eu oro, não vou a templos
porquanto sei que o meu corpo é sagrado e o
meu caráter transparente...
Eu sigo os caminhos dos homens nus, nem cruéis,
nem santificados... Eu faço o trajeto dos homens
simples que amam e esperam ser amados.

22 novembro, 2009

CARÊNCIA DE AMOR (Antônio Roberto)















A dificuldade de amar vem da carência de amor. O ser humano se faz em sua própria existência. “Num mundo cada vez mais frio, é até uma ousadia estimular o amor. Contudo, esse é o único meio de que podemos nos valer para ajudar a derrubar os muros que construímos para nos afastar uns dos outros.” Precisamos trabalhar constantemente o medo que temos de correr riscos.
Para amar é necessário que tenhamos consciência do nosso medo de perder. A saída para as dificuldades no relacionamento são doses de compreensão, tolerância e humildade. A comunicação é imprescindível para resolver as pequenas diferenças e evitar ressentimentos. Tentar mudar o outro não resolve. A pessoa não muda somente por que a outra quer. O ser humano muda e evolui quando ele deseja. A imposição e a cobrança trazem desgaste para o relacionamento.
Trabalhe sua autoestima. Precisamos antes de tudo confiar em nós mesmos para superar os dias difíceis. Uma personalidade sempre insegura atrairá relacionamentos frágeis ou dominadores. É preciso cuidar de si mesmo, sempre. Não se anular para agradar o outro. Quando o tempo passar, você não saberá mais resgatar sua individualidade. A insegurança emocional responde pelo medo de amar.
O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas por meio de exigências que sempre resultam em fracasso. Neste caso, o amor não passa de um recurso para satisfações imediatas, não percebendo que aquele outro que o elogia e o bajula, demonstrando-lhe afetividade, é o que também se utiliza da ocasião para se firmar aos que denominam de um lugar ao sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.
Na dificuldade de encarar a vida, é sempre fácil responsabilizar os outros. Na dificuldade de se relacionar com os outros, é sempre fácil olhar os defeitos. Na dificuldade de amar o próximo, é sempre fácil escolher a indiferença. “Outro aspecto importante nas relações é a reciprocidade e foi ela que estruturou a sociedade, portanto é algo fundamental para o homem”.
Na atual realidade, poucas pessoas dão valor ao ato de retribuir e por incrível que pareça também têm dificuldade de receber, mas é preciso aprender que receber exige humildade. Não posso deixar de pontuar que estas pessoas que têm dificuldade de amar provavelmente foram pouco amadas ou assim se sentiram. Quem não recebeu não pode dar, pois ninguém dá o que não tem. Nossas relações afetivas são o resultado dos afetos que recebemos. Por fim, a flexibilidade é também importante para melhorar a competição nas relações. O amor se dobra para não se romper. Quem tem dificuldade para amar é quem mais precisa de amor!
(Parte do texto de Antônio Roberto - Jornal Aqui – BH, 28/04/2009).

18 novembro, 2009

ABRAÇO-TE (Cacau Loureiro)


Abraço-te nas intermináveis horas
dos meus dias... pois que o teu
abraço desvanece todas as minhas
noites de angústia.
Abraço-te no amargor de toda esta
espera... pois que o teu abraço é
sempre recomeço na minha chegada.
Abraço-te na lágrima salgada que
brota dos meus olhos... pois que o
teu abraço é estanque de pranto e
germinar de sorriso.
Abraço-te quando não refreio as
palavras rudes que me laceram o
peito... pois que o teu abraço é mel
dulcificando os meus lábios.
Abraço-te nos mil invernos de minha
alma triste... pois que o teu abraço é
florescimento de alegria retomando-me
em nova primavera.
Abraço-te no duro entorpecimento do
meu coração... pois que o teu abraço
é fogo forjando o seu burilamento.
Abraço-te no desejo ardoroso de
devolver teu abraço... pois que o
teu abraço é faísca reacendendo as
minhas emoções.
Abraço-te na esperança distante de
reencontrar a alegria... pois que o
teu abraço encurta o caminho, oferta-me
o encanto e a magia.
Abraço-te na vontade infinita de voar
em teu espaço, abarcar o teu mundo,
prender-te no meu... pois que o teu
abraço é pira queimando minhas
dores, fazendo renascer das cinzas
a fênix que sou.

A MENTIRA (Renê Dalton)


Quem nunca viveu uma grande paixão ou amor, quem nunca teve atribulações e conflitos com amigos ou mesmo parentes, por que na maioria das vezes, mesmo parecendo tão simples, o relacionamento humano é algo tão complicado? Se partirmos do princípio, que somos observadores do mundo, que buscamos no externo, nossas motivações, compensações e rumos, entenderemos um pouco da psiquê humana.
Uma criança recém nascida é um potencial infinito, um ser pequenino que precisa de cuidados e direcionamento, ele não tem regras definidas, ele não tem noção de valores, nada além das atividades e necessidades físicas.
Para a criança recém nascida, tudo é novo, experiências físicas e emocionais vão sendo acumuladas e gravadas na memória, dando início ao processo de formação de valores, valores emocionais, laços de afetividade, experiências sensoriais, vão se desenvolvendo no decorrer dos dias, de acordo com a forma que esses cuidados e direcionamentos são aplicados.
Dessa forma, esse senso de observação se torna o ponto referencial de todas as atividades humanas, agimos e reagimos de acordo com o que vemos e vivenciamos, nossa observação do externo nos alimenta com informações e sensações e essas mesmas informações e sensações, vão criando durante nossa experiência de vida, regras e valores, definindo assim nosso caráter e a maneira que agimos e reagimos perante tudo na vida.
Assim, de acordo com a nossa observação, buscamos na infância, na adolescência e na fase adulta os grupos que mais estejam de acordo com nossos valores, credos e gostos. Buscamos nesses grupos a constante aceitação e a afirmação de nós mesmos.
Tão simples, tão fácil de compreender e reconhecer como verdadeiro, essa diretriz de observação nos leva a uma necessidade quase que doentia, da aprovação refletida nos outros, para que possamos assim nos reconhecer como pessoas. A nossa dependência dessa aprovação externa, para que possamos nos conhecer melhor, saber quem somos, o que somos ou devemos ser, nos leva ao maior dos enganos culturais da raça humana, a MENTIRA.
A mentira se tornou parte da cultura humana, mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mas mentimos. A mentira está tão presente e com a ironia da palavra, tão VERDADEIRA em nossas vidas, que se tivermos a capacidade de observa-lá, sem nenhum envolvimento emocional, perceberemos que a mentira está presente em nossa vestimenta, em nossa alimentação e na maioria dos nossos relacionamentos.
Por isso que a maioria dos relacionamentos, quanto mais estreitos em laços afetivos, mais complicados se tornam, se "maquiarmos" traços de nosso caráter, opiniões, postura e gostos apenas para não desapontar o outro dos nossos relacionamentos. Essa opção pela MENTIRA pode parecer a mais fácil como solução, mas as consequências que ela pode causar tem a capacidade de destruir os relacionamentos mais sólidos, a confiança e a opinião que o outro do nosso relacionamento possa nutrir por nós.
Porque Mentimos
Mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mentimos por que é mais fácil e cômodo mentir. Mentimos por que achamos que essa aprovação externa é a única forma de sabermos quem somos, o que somos e sermos aceitos e respeitados.
Nossa imaturidade, nos faz temer e evitar qualquer situação em que a necessidade de expor ou impor nossas idéias nos coloque em conflito com nossos relacionamentos. Mentimos para quem amamos por medo do desentendimento, mentimos para nossos amigos para evitar constrangimento, mentimos aos nossos superiores por medo da retaliação.
Assim, a MENTIRA se fortaleceu em nossa cultura, disfarçada de "mãe acolhedora", oferecendo sempre a solução mais confortante e simples ela nos escravizou. Somos na VERDADE uma grande nação de mentirosos, de escravos, de dependentes físicos e emocionais da ilusão, adormecidos, entorpecidos na busca frenética de compensar o grande vazio de nossas almas.
Nossa alma está faminta, faminta de valores edificantes, faminta de ações positivas, faminta de VERDADE, nosso maior engano é tentar compensar essa carência, nos orientando apenas pelos valores aceitos como padrão perante a sociedade e o mundo.
Buscamos compensar, compensamos na comida, compensamos nos bens materiais, compensamos nos prazeres passageiros, compensamos em nossos semelhantes, projetando sobre eles tudo aquilo que julgamos ser o que deve ser, projetando sobre eles o que não somos e gostaríamos de ser, projetando sobre eles, de forma negativa, aquilo que realmente somos e não queremos ser.
A MENTIRA está para a humanidade assim como está o diabo para aqueles que acreditam nele.
A MENTIRA é a mãe dos ladrões, é a prostituta da alma, é o câncer da essência humana. Ela te rouba pouco a pouco a razão, o caráter, distorce teus valores, aborta teu espírito e transforma teu corpo em uma carcaça vazia, um humanóide repetidor, sem escolhas, sem vida, apenas um morto, que acredita estar vivo.
Repetição
A vivência constante na MENTIRA nos adoece, nos distancia de nossa essência e do que na VERDADE somos. Dessa forma, desorientados e perdidos, voltamos a repetir aquilo que vimos e comprovamos nos ser conveniente ou necessário, criando assim uma maior dependência da MENTIRA.
Essa repetição, vai então se tornando a forma mais segura para agirmos, e assim, repetimos aos nossos filhos a educação que nos foi dada, repetimos nos relacionamentos atuais o que vivenciamos nos relacionamentos passados, repetimos em nossos empregos o que fizemos nos empregos anteriores, repetimos em nossas vidas tudo aquilo que em algum momento funcionou, ficando eternamente aprisionados a esse círculo vicioso.
Enquanto mantivermos essa postura de observação egoísta, ação em função da aceitação em benefício próprio, comprovação de êxito pessoal, a repetição se fortalecerá, alimentando cada vez mais a MENTIRA.
Confundimos diariamente o ter com o ser, o poder com o direito, o favor com o dever, a obrigação com a gentileza, e o maior de todos os enganos e confusões, o possuir com o amor.
Se assim continuarmos, viveremos eternamente nesse círculo, feito cegos na escuridão, onde o ver de nada adiantaria, nossa única solução é o ser, os poucos que são e que foram, que acordaram para viver na VERDADE foram por nós tidos como loucos, como anormais e infelizmente muitas vezes como inimigos. Nos tratamos logo de os calar, de nos livrar deles, porque sabemos que esses poucos, lá em nosso íntimo mais profundo, são e foram os portadores da VERDADE, a verdade coletiva, a verdade absoluta, uma dentre tantas leis do universo.

AMAI TEU CRIADOR E TODAS AS CRIATURAS COMO DEVERIAS AMAR A SI PRÓPRIO.
Se avaliarmos essa VERDADE de forma simples, sem nenhuma conotação religiosa, iremos entender que nossa vida está intimamente ligada a vida de todos os nossos semelhantes e ao local em que vivemos, nosso planeta nos dá o suporte necessário a nossa vida e a vida e escolha de nossos semelhantes tem influência em nossas vidas de forma direta e indireta.
A humanidade necessita parar, reavaliar conceitos, postura, valores e amadurecer, devemos tomar a nós, a responsabilidade de nossas escolhas, escolher com consciência edificadora, exercer nosso livre arbítrio, independente das sansões. Somente assim estaremos livres, somente assim viveremos a VERDADE.
A necessidade do Renascimento
Não tenhas medo de renascer, afinal, já nasceste uma vez, teu choro, teu protesto por ter sido violentamente tirado do conforto do útero de sua mãe, na VERDADE foi a oportunidade do teu respirar, do início de apenas mais uma etapa de sua vida.
Não se acomodes na inércia, você não foi dado a isso, não é da natureza humana o adormecimento, a você foi dado a capacidade de observar, concluir e agir, então faça uso do seu livre arbítrio, orientado pela paz e pela justiça, buscando sempre o bem comum.
Não confudas altruísmo com a aniquilação da sua vontade, entenda por altruísmo uma das formas de manifestar de maneira positiva a tua vontade, as tuas idéias e os teus ideais.
Questione-se diariamente, avalie e reavalie suas atitudes, busque nesse questionamento o amadurecimento da sua alma, medite constantemente na paz e na verdade.
Se você assim o fizer, jamais o medo e a dúvida te impedirão de agir quando sua ação se fizer necessária.
Buscai diariamente vivenciar sua religiosidade, fortaleça teu elo com teu Criador e respeite teu ambiente, teus semelhantes e o teu ritmo pessoal.
Não questione nada além das suas escolhas, não se norteie pelo passado e viva o teu presente com toda a força da tua alma, como se esse fosse teu último dia de vida.
Quando essa consciência de todas as coisas iluminar tua mente e espírito, saberás em teu mais profundo ser, que estás no caminho da verdade e da vida.
Busque a verdade, viva a verdade e ela te libertará. Pois sob a luz da verdade, não existe mentira que faça sombra.

17 novembro, 2009

SILENCIAR (Vera Godoy)


O silêncio, muitas vezes, tem um poder muito maior de trazer resultados numa relação do que falar e expor os fatos que a todos incomodam. Saber a hora de calar é compreender a necessidade de reflexão, mas identificar a hora certa de falar ou calar é que trará luz aos fatos. Sem dúvida podemos afirmar que quando ignoramos esse "momentum" podemos interferir inadequadamente na vida e também nas condições físicas, emocionais e psicológicas de todos os envolvidos. Sempre existe uma causa para um comportamento inadequado e errar é inerente à toda natureza humana, é inclusive necessário para nosso aprendizado na vida; só evoluimos através dele.
A decadência de um relacionamento começa quando não conseguimos mais enxergar nada de positivo no outro, quando não há mais respeito mas, principalmente, "quando não existe intenção e boa vontade de um dos parceiros em relevar os aspectos negativos do outro, considerando somente as qualidades positivas e atrativas". Permanecer nessa situação de "total falta de comunicação” leva as pessoas à depressão e a atitudes de desespero.
Qualquer forma de expressão é mais saudável que a tortura de conviver com o silêncio do outro. Diz a canção: “dói mais teu silêncio do que tua agressão".
Somos todos muito diferentes e nos iludimos achando que existe a "tampa da nossa panela", mas bastam alguns segundos de conversa entre duas pessoas para constatarmos que a percepção da realidade de uma é diferente da outra. Cada um de nós tem uma verdade e se a considerarmos sob uma “percepção rígida e inflexível" ofuscaremos qualquer possibilidade de compreender a do outro. Para muitos "tentar essa compreensão" significa perder sua identidade, se anular, se diminuir.
Um grande filósofo já disse: "Você quer ter razão ou prefere ser feliz?" Evitaríamos muita coisa nos calando, silenciando, mas muita coisa também seria evitada se falássemos, se nos comunicássemos, se tivéssemos diálogo e consideração pelo outro.
Esse silêncio inoportuno, na hora errada, é também uma forma de violência. É uma situação velada que não causa tanto impacto na sociedade quanto a violência física, por não existir manifestação explícita e aparente de agressão, porém é uma realidade tão cruel quanto a outra; a diferença é que a segunda deixa marcas visíveis, contudo na primeira, as feridas podem ser mais profundas e perigosas, porque se trata de uma violência emocional. A violência emocional destrói a auto-estima do outro. A agressão verbal é uma violência também, mas é real, concreta, deixa para o outro uma oportunidade de "concluir algo e de ter uma referência". O silêncio indiferente ou a simples ausência de diálogo, é a omissão de um comentário ou argumento esperado para o momento e, portanto, machuca muito mais.
Nesse tipo de violência também acontecem a depreciação da família e do trabalho do outro. Esclarecer e aceitar as diferenças é aceitar a verdade do outro, é admitir o nosso equívoco diante de uma realidade: "as diferenças não atrapalham a convivência"! Elas, em certos momentos, nos aproximam justamente porque nos afastam da rotina. É o que geralmente acontece quando se inicia uma nova relação. Quando os relacionamentos começam, são essas diferenças que "fascinam" os parceiros. A novidade e a surpresa provocam uma vibração que motiva e colore a relação, porém, quando é necessário conviver com elas rotineiramente, não resistimos e calamos, silenciamos.
Amor se demonstra em atitudes concretas. Mesmo com todas as dificuldades da vida, quando ainda existe respeito, perseverança e disposição de compreender, alegria em compartilhar, vemos os dias seguirem com o fortalecimento dos laços que unem um casal. É no dia-a-dia que se solidificam os relacionamentos. Sentimentos que não são traduzidos em atos não alcançam o outro e quando nossas atitudes demonstram mais ressentimento e indiferença que afeição ficamos atordoados, sem chão.
Lembre-se: amor, atenção, carinho e amizade não se pedem. Apenas se recebem. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro e que ouve isso do outro.
O silêncio é plenitude de comunicação. Evitar o silêncio negativo do mau-humor, da agressividade, do desgosto, da raiva e, principalmente, da “ausência”, é demonstrar sensibilidade, afetividade e respeito. O silêncio quando é amor, fala e quando é desamor, agride. O ato de falar e o de calar precisam um do outro, pois quem fala quer ser ouvido e para ouvir é preciso calar. Vamos aprender a arte de silenciar só por amor!

16 novembro, 2009

CÉU LARANJA (Cacau Loureiro)


Em aspirações recorrentes avisto
os campos prometidos...
Em tua seara provei de mais nobre fruto,
gosto ímpar que jamais experimentarei
de novo.
Vastidão tremenda de despetalados
malmequeres, mas, onde ainda há
sementes germinando em profusão...
Constato que o colorido de outrora
permanece incólume, novedio.
Há a viração das noites solitárias que
envolve o buquê dos amores confiados
ao vento.
Nas esferas que me foram lume de
estrelas eu enfeito ainda o meu tempo
presente; longas e padecidas horas que
esvoaçam lembranças...
Há tanto pesar a permear a florada em
que me abraço, pois que a dor é para
os simples de afeto... também para os
gigantes de alma.
A brisa do vazio que me cerca traz canções
várias, tristes árias a ecoarem na escuridão
primaveril em que me peito arde.
Caminho a esmo através do verdejante da
esperança que renasce em mim como pôr de sol...
Há no céu laranja que me mostraste nalgum dia
feixes da pequenina flor que hei de chamar para
sempre... a margarida do amor!...


ABRINDO O CORAÇÃO (Tarthang Tulku)


A vida parece vazia quando nossos corações estão fechados.
Podemos ler livros, pedir conselhos a amigos e amantes,
ou buscar refúgio em objetos materiais,
e continuar ainda, ansiosos e insatisfeitos.
Há rochas no oceano que vêm sendo cobertas
de água há milhares de anos;
em seu interior, todavia, elas continuam secas.
Da mesma forma, podemos tentar compreender-nos
mergulhando em idéias e filosofias, mas se nossos corações
estiverem fechados, secos e frios,
o verdadeiro significado não nos tocará.
Onde quer que estejamos e seja o que for que fizermos,
se não estivermos abertos, ninguém, nem mesmo o maior dos mestres poderá chegar até nós.
Se nossos corações estão abertos,
toda existência parece naturalmente bela e harmoniosa
É possível ver ou sentir dessa maneira, essa é a essência
dos ensinamentos de Jesus.
A criação nos revela todos os sentimentos.
Por que o coração e não a mente?
por que o nosso ego controla a cabeça,
e os nossos corações são mais livres.
Reparemos o que está acontecendo em nossos corações.
Esta é uma preparação essencial para aprender
a verdade de nossas próprias vidas.